Fed e Copom decidem juros nesta quarta com apostas em rumos opostos
Superquarta traz expectativa de avanço das taxas nos EUA pela 1ª vez em três anos e último corte da Selic em 2026
O Fed (Federal Reserve) e o BC (Banco Central) decidem nesta quarta-feira (16) os próximos passos para os juros nos Estados Unidos e no Brasil, em uma "superquarta" marcada pela expectativa de movimentos em direções opostas nas duas maiores economias das Américas.
Nos Estados Unidos, o mercado aposta em uma elevação de 0,25 ponto percentual pelo Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto), que levaria a taxa de juros da atual faixa de 3,5% a 3,75% para um intervalo entre 3,75% e 4%.
Caso se confirme, será a primeira alta dos juros americanos em três anos.
No Brasil, a expectativa predominante é de redução de 0,25 ponto da Selic, atualmente em 14%, para 13,75% ao ano.
As decisões chegam em momentos diferentes para a inflação dos dois países: enquanto o Brasil registrou deflação em agosto e sinais de desaceleração da atividade, que reforçam as apostas em mais um corte, os Estados Unidos enfrentam pressão dos preços, impulsionada também pela alta do petróleo em meio aos conflitos no Oriente Médio.
O Fed será o primeiro a divulgar sua decisão, às 15h, pelo horário de Brasília. Logo depois, às 15h, é esperada coletiva com o chair Kevin Warsh.
Já por aqui a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) é esperada para após 18h30.
Fed pode elevar juros pela primeira vez em três anos
O principal foco da superquarta está nos Estados Unidos. As apostas do mercado mudaram rapidamente nas últimas semanas e passaram a apontar quase de forma unânime para uma política monetária mais restritiva.
Nesta terça-feira (15), 92,4% dos operadores consultados pela ferramenta FedWatch, do CME Group, apostavam em uma elevação dos juros nesta reunião. Uma semana antes, essa probabilidade era de 59,4%, ante 33,1% há um mês.
A mudança ocorreu diante da persistência da inflação americana e da pressão provocada pelo aumento dos preços de energia. O PCE, índice de preços relacionado aos gastos dos consumidores e considerado a principal referência de inflação do Fed, acumulou alta de 3,7% nos 12 meses até julho.
Os dados mais recentes também reforçaram a preocupação. O CPI, equivalente ao índice de preços ao consumidor, avançou 0,4% em agosto, enquanto o núcleo do indicador, que exclui componentes mais voláteis como alimentos e energia, subiu 0,3%.
Já o índice de preços ao produtor acumulou alta de 5,4% em 12 meses até agosto.
O movimento ocorre ainda em meio à alta do petróleo, que voltou a pressionar combustíveis e expectativas de inflação nos Estados Unidos.
A reunião também será acompanhada pelos sinais dados pelo presidente do Fed, Kevin Warsh, que tem reforçado a necessidade de controlar a inflação e demonstrado menor tolerância a desvios em relação à meta de 2%.
A condução da política monetária voltou ainda ao centro das pressões políticas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu às vésperas da reunião que o país deveria ter “a menor taxa de juros do mundo” e voltou a cobrar uma política monetária mais branda, apesar da expectativa de alta nesta quarta-feira.
Copom deve fazer quinto corte seguido
No Brasil, o movimento esperado é o inverso. Economistas e investidores dão como praticamente certo um corte de 0,25 ponto percentual da Selic, dos atuais 14% para 13,75% ao ano.
Se confirmado, será o quinto corte consecutivo desde o início da flexibilização monetária, em março. Na última reunião, em agosto, o Copom reduziu a taxa de 14,25% para 14%, no quarto corte seguido.
A expectativa ganhou força após os últimos dados de inflação. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) recuou 0,32% em agosto, na primeira deflação mensal em um ano.
No acumulado de 2026, o índice registra alta de 3,11%, enquanto a inflação em 12 meses ficou em 4,22%. A leitura de agosto ficou ainda ligeiramente abaixo da expectativa do mercado, que projetava queda de 0,29%.
O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (14) também mostrou nova redução nas projeções para a inflação. A estimativa para o IPCA de 2026 passou de 5% para 4,9%.
Para a Selic, a mediana das projeções continua apontando uma taxa de 13,75% no encerramento deste ano. Isso significa que, pela mediana do Focus, o corte desta quarta-feira seria o último de 2026.
Entretanto, a avaliação não é consensual. Instituições financeiras já passaram a projetar novas reduções nas reuniões de novembro e dezembro.
O Bank of America, por exemplo, revisou sua previsão e passou a esperar cortes de 0,25 ponto em todas as reuniões restantes do ano, o que levaria a Selic a 13,25% em dezembro.


