Funcionários dos Correios entram de greve por tempo indeterminado
Ação marca uma nova etapa da campanha salarial, após as negociações terminarem sem acordo

Os funcionários dos Correios entraram greve por tempo indeterminado. A decisão foi aprovada durante assembleias realizadas pela Findect (Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e Similares) na última quinta-feira (10) em diversas regiões do país.
A paralisação iniciou às 22h de quinta. Segundo a Findect, a greve marca uma nova etapa da campanha salarial, após as negociações terminarem sem acordo.
Segundo a entidade, um dos principais pontos do impasse é o plano de saúde dos trabalhadores. Os Correios propuseram alterar sua condição de mantenedora do plano, isto é, a responsável por prover os recursos financeiros, administrativos e estruturais para o funcionamento do benefício.
"Com a greve deflagrada, o momento agora é de ampliar a mobilização, fortalecer a organização nas unidades e cobrar uma resposta da direção dos Correios e do governo federal. A categoria exige uma proposta que preserve direitos, proteja o plano de saúde e respeite quem mantém a empresa funcionando diariamente em todo o Brasil", diz a entidade em nota.
A CNN Brasil entrou em contato com os Correios e aguarda posicionamento. O espaço segue aberto.
Crise financeira
A paralisação acontece em um momento que os Correios implementam um plano de reestruturação financeira. O crédito é uma das frentes do plano de reestruturação dos Correios para 2025–2027. Além da captação de recursos, o programa prevê medidas para reduzir despesas, elevar receitas e vender ativos.
Na apresentação do plano, os Correios estimaram uma redução anual de R$ 4,2 bilhões em despesas, aumento de R$ 1,7 bilhão em receitas e obtenção de R$ 1,5 bilhão com venda de imóveis.
Entre as medidas estão ainda o PDV (Programa de Demissão Voluntária), renegociação de contratos e passivos, mudanças no plano de saúde dos funcionários e fechamento de parte das agências.
Os Correios encerraram 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões, o quarto resultado anual negativo consecutivo desde 2021. Somente no primeiro semestre de 2026, a empresa registrou um prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões.


