Inflação americana fica moderada e pode adiar alta de juros do Fed

Resultado do CPI veio em linha com expectativas e, combinado com fraqueza do mercado de trabalho, pode mudar apostas para próxima reunião

Mariana Suzuki, colaboração para a CNN Brasil*
Compartilhar matéria

A inflação dos Estados Unidos subiu 0,07% em julho, segundo o índice de preços ao consumidor (CPI). O resultado veio em linha com o esperado pelo mercado e reforçou a percepção de que a inflação americana está desacelerando, enquanto o mercado de trabalho dá sinais de enfraquecimento.

O resultado pode ter impacto direto sobre os investimentos, principalmente nos mercados de ações e de renda fixa. Isso porque os próximos passos do Fed (Federal Reserve) influenciam as taxas de juros globais e o apetite dos investidores por ativos de maior risco.

Além do índice cheio, os dados considerados estruturais da inflação também vieram positivos, com destaque para a desaceleração dos aluguéis. Para Marilia Fontes, apresentadora do Resenha do Dinheiro, o resultado pode levar o Fed a postergar uma eventual alta dos juros.

“Com esse número de CPI positivo, talvez eles segurem uma reunião a mais para subir o juro”, afirmou. Segundo ela, o mercado, que estava mais confiante em uma alta já em setembro, passou a considerar uma possibilidade maior de Kevin Warsh manter os juros estáveis.

O cenário de inflação ganha ainda mais importância quando analisado em conjunto com o mercado de trabalho. Segundo Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb, o quadro coloca o Fed diante de um dilema: de um lado, a inflação está mais comportada. De outro, a atividade econômica e o mercado de trabalho mostram sinais de perda de força.

“O mercado esperava uma criação positiva de vagas e tivemos destruição de vagas no último mês nos EUA”, analisa Pascowitch.

Na visão dele, elevar os juros neste momento poderia prejudicar ainda mais o mercado de trabalho sem necessariamente produzir um efeito significativo sobre a inflação. 

“É um cenário em que subir o juro piora muito o mercado de trabalho e não vai fazer grande efeito na inflação, talvez porque a inflação está mais calma do que o esperado”, afirma.

Juros americanos estáveis ou uma política monetária menos restritiva tendem a favorecer ativos de risco. Com uma política monetária menos restritiva, investidores podem buscar retornos maiores em ações, o que ajuda a sustentar as bolsas.

“Se o Fed não subir o juro, quem fica feliz é a bolsa americana”, destaca Bernardo. O mercado acionário dos EUA já vinha sendo impulsionado pelo otimismo dos investidores em relação à possibilidade de novos cortes ou de uma trajetória de juros menos restritiva.

Porém, para Marilia, a decisão do Fed ainda está longe de ser definida. O Fomc já optou por manter os juros na reunião anterior, mesmo diante de integrantes considerados mais austeros na condução da política monetária.

Resenha do Dinheiro

Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos e Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb; e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.

O Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.

Acompanhe Economia nas Redes Sociais