"Prévia da inflação": IPCA-15 sobe 0,70% em setembro, puxado por energia
Resultado veio pouco acima das expectativas, que apontavam para uma alta de 0,53% no período, e aproximou a taxa em 12 meses para o teto da meta de 2026
O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15) , considerado a prévia da inflação oficial, subiu 0,70% em setembro, sobre baixa de 0,40% no mês anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Pesquisa da Reuters com economistas estimava alta de 0,53% para o período.
O índice 15 levantou mais do que o esperado em setembro sob pressão da energia elétrica, passou os efeitos do bônus de Itaipu, e com os preços de alimentos voltando a retorno, o que levou a taxa em 12 meses a aproximar-se do teto da meta.
Em 12 meses, o IPCA -15 passou a um avanço de 4,47% em setembro, de 4,24% no mês anterior.
A meta para a inflação é de 3% calculada pelo IPCA , com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
Os dados mais fortes do que o esperado foram divulgados poucos dias do primeiro turno da eleição presidencial, no dia 4 de outubro.
O IPCA encerrado em setembro sairá no dia 9 de outubro, e o segundo turno da eleição será no dia 25 do mesmo mês.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) parecem particularmente empatados nas pesquisas eleitorais mais recentes.
Energia
Os dados do IBGE mostram que em setembro a maior variação e o maior impacto de alta vindo do grupo Habitação, cujos custos subiram 2,07%.
Isso porque a energia elétrica residencial teve alta de 7,42% em setembro, após queda de 6,25% em agosto, uma vez que saiu da conta o intervalo fornecido no mês passado pelos bônus de Itaipu --valor distribuído a milhões de consumidores residenciais e rurais durante todo o ano após apuração do saldo registrado na conta de movimentação da energia da usina hidrelétrica binacional no ano anterior.
Além disso, em setembro a bandeira tarifária da energia elétrica no Brasil correu amarela, o que representa um custo adicional de R$ 1.885 a cada 100 kWh consumidos.
O grupo Transportes apresentou avanço de 0,60% no mês com alta de 9,82% nas passagens aéreas.
Os combustíveis subiram 0,22%, com gás veicular (1,56%) e gasolina (0,30%) apresentando taxas positivas enquanto o óleo diesel (-0,78%) e o etanol (-0,22%) caíram.
Nas contas de Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, o resultado das passagens aéreas levou a alta de serviços a acelerar para 0,59% em setembro, de 0,07% em agosto, elevando a taxa em 12 meses para 6,00%, de 5,50%.
"A reaceleração do índice reflete tanto a devolução pontual de itens voláteis e administrados (energia elétrica e passagens aéreas) quanto uma dinâmica qualitativa ainda pressionada, evidenciada pela alta da média dos núcleos e pelo patamar elevado dos serviços acumulados em 12 meses", disse ele.
"O resultado reforça a cautela necessária em relação à convergência da inflação e valida a postura vigilante da política monetária."
Já Alimentação e Bebidas deixaram para trás a queda de 0,57% em agosto e passaram a subir 0,40% em setembro.
A alimentação no domicílio teve alta de 0,38%, após recuar 0,97% no mês anterior, com aumentos do tomate (20,76%), do arroz (2,39%) e das carnes (1,30%).
“A gente tem alertado tem algum tempo justamente para os riscos de preços dos alimentos mais pressionados nesse último trimestre do ano, e o que a gente vê agora com essa alimentação nos domicílios já em terreno positivo é justamente o fim dessa sazonalidade mais baixa”, disse Júlio Barros, economista do Daycoval.
Na semana passada, o Banco Central cortou a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual, a 13,75% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto ao afirmar que o cenário atual de incerteza exige serenidade e cautela na condução da política monetária.
Nesse encontro, o BC defendeu a manutenção de nível restritivo dos juros básicos no país diante da pressão de demanda, ainda que se observe um congelamento em dados de atividade econômica, crédito e inflação.
Um mercado de trabalho ainda sólido e medidas de incentivo do governo favorecendo o consumo, ficando no radar do BC, bem como a expectativa de um El Niño forte.
A projeção de analistas para a inflação neste ano subiu 4,92% na última pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central.
O IPCA -15 estima a variação de preços entre meados do mês anterior até meados do mês de referência na comparação com o período imediatamente antecedente.
*Com informações da Reuters


