Secretário do Tesouro dos EUA diz que recompras de títulos podem aumentar
Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou na quarta (19) que dobrará o valor das operações de recompra para apoio à liquidez de títulos com cupom nominal e prazos mais longos

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta quinta-feira (20) que pode aumentar novamente o volume de títulos do Tesouro que o governo irá recomprar, um dia depois de anunciar planos de duplicar as recompras.
“Vamos aumentar o volume da recompra”, disse Bessent em entrevista à CNBC. “Gostaria de ressaltar que o valor pode ser superior a US$ 4 bilhões por emissão”, destacou.
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou na quarta (19) que dobrará o volume das recompras de títulos de prazo mais longo no próximo trimestre para pelo menos US$ 4 bilhões, uma medida que conteve a alta dos rendimentos dos títulos de 30 anos nesta semana, que haviam atingido os níveis mais altos em 19 anos. O rendimento dos títulos de 30 anos havia se recuperado no início desta quinta-feira (20), mas os comentários de Bessent frearam brevemente o aumento.
Bessent disse à CNBC que o objetivo é apoiar a liquidez em um segmento do mercado com baixo volume de negociações — especialmente em agosto — ao mesmo tempo em que precisa competir com muitas emissões corporativas com rendimentos mais altos, inclusive para infraestrutura de inteligência artificial.
“Parte disso é enviar um sinal e mostrar que acreditamos que os rendimentos não refletem os fundamentos subjacentes. Quanto ao conflito com o Irã, vamos superar isso, mas não sabemos quando”, afirmou Bessent.
Um dia após a dívida pública total dos EUA ultrapassar a marca de US$ 40 trilhões pela primeira vez, Bessent declarou que ele e o diretor de orçamento da Casa Branca, Russell Vought, iniciarão um novo esforço de consolidação fiscal sob a orientação do presidente Donald Trump. Segundo ele, essa iniciativa, combinada a esforços para reduzir desperdícios, fraudes e abusos, poderia gerar uma economia de "centenas de bilhões de dólares".
Ele acrescentou que "não havia nada de mágico no número de US$ 40 trilhões" e que os Estados Unidos cresceriam o suficiente para superar o problema da dívida. Enquanto isso, ele afirmou que o déficit deste ano foi impulsionado pelos reembolsos das tarifas de Trump declaradas ilegais pela Suprema Corte.
Durante a entrevista à CNBC, a autoridade americana disse ainda que os Estados Unidos vão impor "as sanções mais duras da história" ao Irã. Bessent afirmou que realizará uma coletiva de imprensa na segunda-feira (24) para discutir os detalhes.
"É hora de nossos aliados e do resto do mundo tomarem uma decisão", enfatizou ele.
O presidente Donald Trump alertou na quarta-feira (19) sobre consequências econômicas para qualquer país que forneça "qualquer tipo de ajuda ao Irã".
Quando questionado se os Estados Unidos poderiam mirar a China por fazer negócios com o Irã, Bessent disse que muitas conversas são melhores quando realizadas em particular.
"Estamos confiantes de que todos querem o Estreito de Ormuz reaberto e que os preços da energia voltem a cair", continuou ele. "Lembre-se de que os chineses obtêm 50% (de sua) energia de dentro do Golfo. Portanto, seria de grande importância para eles aderirem a essa estratégia", concluiu.
A China compra mais de 80% do petróleo iraniano exportado, de acordo com dados de 2025 da empresa de análise Kpler.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, classificou os comentários de Trump como uma tentativa de desviar a atenção da opinião pública americana dos problemas financeiros internos, incluindo uma dívida recorde e o aumento das taxas de juros.


