Setor de IA deve impulsionar ganhos nos balanços dos EUA no 3º tri

Analistas preveem alta de 31% nos ganhos trimestrais com destaque para gigantes da tecnologia como Alphabet, Amazon e Meta

Caroline Valetkevitch, da Reuters, em Nova York
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É provável que as empresas americanas apresentem mais um aumento acentuado nos balanços do terceiro trimestre e, assim como a alta no mercado de ​ações, as empresas ligadas à IA estão impulsionando a maior parte desses ​ganhos.

Embora os investidores estejam entusiasmados com o crescimento vertiginoso dos lucros impulsionado pelas empresas de IA, muitos também estão preocupados com por quanto tempo essa tendência poderá se manter e o que acontecerá com os preços das ações quando ela chegar ao fim.

Analistas esperam, em média, que os lucros do S&P 500 aumentem cerca de 31% em relação ao mesmo período do ano anterior no terceiro trimestre, com dois terços desse salto provenientes do setor de tecnologia e das gigantes da IA: Alphabet, Amazon.com e Meta, de acordo com Tajinder Dhillon, chefe de pesquisa de lucros e ⁠ações da LSEG.

Os ganhos das ações do setor de tecnologia ​ajudaram o S&P 500 a atingir uma alta recorde nesta semana, antes da temporada de divulgação de resultados, que deve começar ​informalmente na próxima semana com os resultados de bancos como o JPMorgan Chase e o Goldman Sachs .

“É tudo IA e, em menor grau, energia ⁠e materiais, mas isso se deve à geopolítica”, disse Sameer Samana, ⁠chefe de ações globais e ativos reais do Wells Fargo Investment Institute.

“Não me surpreenderia se 70% a 80% ​do ‌crescimento pudesse ser atribuído à tecnologia e à IA.”

Os lucros do setor de energia devem apresentar alta de cerca de 115% em relação ao ano ⁠anterior, com os preços do petróleo nos EUA tendo subido aproximadamente 30% no terceiro trimestre devido à guerra em curso entre os EUA, Israel e o Irã.

“Quase tão revelador quanto isso é observar os setores que não têm nenhuma relação com a IA”, disse Samana, apontando para bens de consumo básico e o ‌setor imobiliário, ⁠cujas estimativas de crescimento ‌dos lucros no terceiro trimestre, em relação ao mesmo período do ano anterior, estão entre as mais fracas.

Ainda assim, os estrategistas não têm certeza se o crescimento dos lucros no terceiro trimestre poderá superar o crescimento excepcional do segundo trimestre.

A maioria das empresas tende a superar as estimativas dos ⁠analistas, e é provável que isso se repita na temporada de resultados do ⁠terceiro trimestre.

Os lucros do S&P 500, em comparação com o mesmo período do ano anterior, cresceram no segundo trimestre em quase 54%, o maior nível desde 2021, segundo dados ‌da LSEG.

Excluindo os ganhos contábeis da Alphabet e da Amazon.com decorrentes de investimentos relacionados à IA, esse crescimento foi de cerca de 35%, ainda o maior desde 2021.

“Uma preocupação dos investidores é que estamos nos aproximando do pico de crescimento dos lucros” para o ciclo atual, disse Anthony Saglimbene, estrategista-chefe de mercado da Ameriprise Financial.

“Grande parte desse movimento em torno da IA se baseia em gastos contínuos com investimentos ‌em ativos fixos, e a cada trimestre que passa, à medida que elas continuam a investir, as taxas de rentabilidade exigidas ficam mais altas e o escrutínio se torna mais intenso.”

Os lucros das empresas de chips dos EUA, que estão entre as maiores beneficiárias do ⁠boom da IA, devem ter aumentado cerca de 136% no terceiro trimestre, em comparação com cerca de 158% no segundo trimestre, disse Dhillon, com base em dados da LSEG.

A fabricante de chips Micron previu, no mês passado, uma receita trimestral acima das estimativas e informou que os clientes haviam aumentado ​seus compromissos no âmbito de seus contratos de fornecimento de longo prazo para US$32 bilhões.

Nesta semana, o Google fechou um grande contrato de fornecimento de ​energia com a Constellation Energy .

É provável que os investidores também prestem muita atenção, nesta temporada de divulgação de resultados, à forma como as taxas de juros mais altas podem estar afetando os lucros das empresas.

Os rendimentos dos títulos dos EUA subiram devido a preocupações com a inflação, os preços mais altos do petróleo e os problemas de endividamento na França e ‌em outros lugares.

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