Crédito mais caro desacelera consumo e pressiona investidores

Juros do rotativo passam de 400% ao ano e apertam orçamento familiar

Mariana Suzuki, colaboração para a CNN Brasil*
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A alta dos juros, especialmente no cartão de crédito, começa a frear o consumo das famílias e acende um alerta no mercado financeiro. 

Dados do relatório de Estatísticas Monetária e de Crédito divulgado pelo BC (Banco Central) na última segunda-feira (30) mostram que o crédito segue em expansão, mas com sinais de maior pressão. 

Em fevereiro, o saldo do crédito ampliado ao setor não financeiro atingiu R$ 21 trilhões, o equivalente a 163,7% do PIB (Produto Interno Bruto), com avanço de 1,1% no mês. 

As taxas seguem em patamar elevado. A do rotativo do cartão de crédito chegou a 436% ao ano, uma das mais altas do sistema financeiro e cerca de 30 vezes superior à taxa básica de juros. 

Com boa parte da renda já comprometida com dívidas, o encarecimento do crédito reduz a margem de consumo. O efeito tende a aparecer principalmente em setores mais dependentes da demanda doméstica, como varejo e serviços. 

Pressão no mercado financeiro

O cenário de juros elevados por mais tempo amplia os riscos e começa a afetar elos da economia. 

Segundo Marilia Fontes, apresentadora da Resenha do Dinheiro e especialista em renda fixa, esse movimento aparece na capacidade de pagamento de famílias e empresas.  

“Bancos que concedem crédito e companhias ligadas ao consumo ou a modelos de assinatura também acabam sendo impactados”, afirma. 

Ela explica que o efeito também chega ao mercado financeiro, especialmente aos produtos de crédito privado.

“O investidor de renda fixa financia bancos e empresas por meio de títulos como CDBs, LCIs, LCAs, CRIs e CRAs. Quando esse ambiente fica mais pressionado, o risco dessas operações aumenta”, diz. 

A perda de fôlego do consumo tende a pesar sobre empresas voltadas ao mercado interno e exige maior atenção à qualidade do crédito. 

“Com juros altos por mais tempo, cresce a incerteza e o impacto nos balanços dessas empresas”, complementa Fontes. 

Diante desse contexto, a recomendação é de maior cautela na alocação. 

“O investidor pessoa física precisa tomar cuidado com crédito privado e evitar nomes mais arriscados nesse momento de tensões”.

Por outro lado, nível elevado dos juros segue favorecendo aplicações mais conservadoras, que se beneficiam de retornos mais altos com menor exposição a risco. 

Resenha do Dinheiro

Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o "Papai Financeiro"; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb; e Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos.

O programa vai abordar semanalmente as principais notícias e movimentos da economia com a leveza de uma conversa informal — como uma resenha entre amigos, no boteco ou após o futebol — mas sem perder a análise e o conteúdo.

A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h na CNN Brasil.

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