Juros futuros caem acompanhando queda dos rendimentos dos Treasuries

Taxa para janeiro de 2028 estava em 12,54%, com baixa de 5 pontos-base ante o ajuste de 12,593% da sessão anterior

Por Fabricio de Castro, da Reuters
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As taxas dos DIs fecharam a quinta-feira (8) com baixas, em especial entre os contratos de ​longo prazo, ainda refletindo a liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL) ​sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno da disputa pelo Planalto.

A queda dos rendimentos dos Treasuries, que mais cedo exibiam altas, também justificou a retração das taxas futuras no Brasil.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 12,54%, com baixa de 5 pontos-base ante o ajuste de 12,593% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 ⁠estava em 12,6%, com recuo de 18 pontos-base ​ante 12,779%.

Desde domingo, com o resultado do primeiro turno, a taxa do DI para janeiro de ​2035 acumulou queda de 153 pontos-base, em meio à avaliação de que Flávio é o favorito na disputa ⁠com Lula.

Nesta quinta-feira, após oscilarem próximas da estabilidade na ⁠abertura, as taxas dos DIs migraram para o território negativo, influenciadas tanto pelo “trade eleitoral”, que ​mantém ‌o apetite dos investidores ao risco, quanto pelo cenário externo.

Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo, que mais cedo ⁠exibiam altas firmes, desaceleraram durante a manhã e se firmaram em baixa à tarde, ainda que o petróleo Brent tenha se mantido em alta.

Essa perda de força dos rendimentos dos Treasuries trouxe uma pressão de baixa para a curva brasileira, conforme ‌um ⁠profissional ouvido pela Reuters, ‌em movimento corroborado pela pesquisa de intenções de voto PoderData/Aya, divulgada mais cedo.

Conforme o levantamento, o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem 53% dos votos válidos na simulação de segundo turno, contra 47% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A ⁠margem de erro é de 1,8 ponto percentual.

Os investidores aguardam agora ⁠a divulgação da nova pesquisa do Datafolha, programada para o início da noite.

No mercado, boa parte dos agentes considera que, com Flávio no ‌Planalto, crescem as chances de um maior controle das contas públicas – ainda que o candidato não tenha apresentado propostas concretas de ajuste.

No limite, o equilíbrio das contas públicas abriria espaço para juros mais baixos, o que se refletiu nos últimos dias na redução de prêmios na parte longa da curva de DIs, justamente o trecho mais ‌afetado pela política fiscal.

A taxa do DI para janeiro de 2035 atingiu a mínima de 12,530% (-25 pontos-base) às 14h15, quando o Ibovespa também estava próximo da máxima do dia no Brasil.

Nesta quinta-feira, o jornal Folha de ⁠S. Paulo publicou que a equipe de Flávio estuda alterar os reajustes da aposentadoria, assim como a correção dos gastos obrigatórios com saúde e educação.

Em Brasília, em entrevista à imprensa, Flávio disse que reajustará os valores da aposentadoria acima da ​inflação e negou ter planos para mudar a forma atual de correção dos benefícios da Previdência e do BPC (Benefício ​de Prestação Continuada).

Em entrevista à CNN durante a tarde, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que Flávio vende uma “ilusão” ao mercado e não leva em conta impactos sobre a atividade econômica e empregos.

No exterior, às 16h38 o rendimento do Treasury de dez anos – referência global para decisões de investimento – ‌caía 5 pontos-base, a 5,229%.

 

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