Bolsa fecha em queda, com cenário global adverso e crise do STF; dólar sobe
Petróleo volta ao patamar de US$ 100 em nova onda de ataques no Oriente Médio; juros futuros avançam
O Ibovespa fechou em queda e o dólar subiu nesta quarta-feira (9), em meio ao ambiente externo avesso a risco, com o barril do petróleo Brent voltando a superar os US$ 100, enquanto investidores seguem acompanhando a crise no STF (Supremo Tribunal Federal) e seus potenciais reflexos no cenário eleitoral.
O índice de referência do mercado acionário brasileiro cedeu 0,93%, aos 185,6 mil pontos, após perder mais de 1% nos piores momentos do dia, apesar de ações da Petrobras evitarem um queda ainda mais acentuada.
O clima negativo no cenário global fez investidores buscarem mais segurança no dólar, que fechou a sessão com avanço de 0,44%. aos R$ 5,111.
O movimento deu força aos juros futuros, com contratos fechando em alta após cinco sessões seguidas de baixas, com parte dos investidores realizando os lucros mais recentes, em movimento também influenciado pelo avanço dos rendimentos dos Treasuries.
No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,63%, com alta de 11 pontos-base ante o ajuste de 13,522% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 marcava 14,22%, com elevação de 20 pontos-base ante 14,02%.
O petróleo fechou em forte alta, ultrapassando os US$ 100 por barril pela primeira vez desde 24 de julho. No início da tarde, o Brent era comercializado pelo valor de US$ 101,24, uma valorização de 3,36% desde a abertura.
O Brent, referência global para o petróleo, subiu mais de 25% desde o início do mês passado, à medida que diminuem as esperanças de uma resolução permanente para o conflito entre os EUA e o Irã, que já dura seis meses.
A alta do mercado acelerou esta semana depois que ataques dos houthis, apoiados pelo Irã, contra instalações de energia sauditas , incendiaram instalações petrolíferas , aumentando o risco de que as interrupções se espalhem por toda a região do Golfo.
A superação da marca de US$ 100 pelo preço do petróleo sinaliza crescentes preocupações de que o mercado global esteja cada vez mais vulnerável após meses de perdas de oferta devido a interrupções nas exportações de petróleo pelo Estreito de Ormuz e à redução dos estoques.
No entanto, o movimento também sustenta as petroleiras brasileiras. As preferenciais e ordinárias da Petrobras, ações de peso no Ibovespa, subiam cerca de 0,50% e 0,26%, a R$ 48,34 e R$ 53,39, respectivamente.
Por outro lado, a mineradora Vale cedia 0,35%, diante do recuo do minério de ferro em Dalian, na China. O contrato mais negociado fechou o pregão diurno com queda de 0,27%, a 738 iuanes (US$110,03) por tonelada. Na terça-feira, atingiu a maior cotação em seis semanas, de 745 iuanes.
O Itaú Unibanco, assim como os demais bancos listados na bolsa, cede 2%, cotado a R$ 41,58.
Crise no STF e pedido de resposta pelo setor produtivo
As quedas que grande parte das ações são puxadas pelo menor apetite por risco dos investidores, a medida que a tensão no STF vem se escalando após o ministro André Mendonça quebrar o sigilo de um relatório da PF (Polícia Federal) que revelou 52 mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro a um número identificado pertencente ao ministro Alexandre de Moraes.
Os diálogos citam o uso de aeronaves e contratos envolvendo o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado.
O ministro Moraes, por sua vez, usou o inquérito das Fake News para acusar o ministro André Mendonça de crimes. O magistrado também pediu ao presidente da corte, Edson Fachin, que abrisse uma ação contra o colega.
Diante da instabilidade no Corte, as entidades produtivas brasileiras decidiram se manifestar. Um grupo de aproximadamente 3 mil entidades do setor produtivo brasileiro se mobilizaram para cobrar respostas do STF (Supremo Tribunal Federal) em carta aberta intitulada como "Manifesto à Nação".
As empresas lideradas pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) citam que representam cerca de 90% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro e geram cerca de 40 milhões de empregos no país.
Nesta manhã, após a nota do setor, o ministro Flávio Dino determinou a reintegração do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada, aos seus cargos.
Há menos de 24 horas, eles haviam sido afastados por decisão do ministro André Mendonça.
Algumas horas após a decisão de Dino, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou, em publicação em suas redes sociais, a quebra "completa" do sigilo das investigações do caso do Banco Master. O mandatário voltou a pedir apuração "doa a quem doer" no processo.
*Com informações da Reuters


