Ibovespa fecha em queda com Copom no radar após Fed elevar juros; dólar cai
Dados sobre economia brasileira e superquarta de política monetária no Brasil e EUA influenciam humores do mercado neste pregão
O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira (16), renovando mínima da sessão à tarde, após o banco central dos Estados Unidos elevar a taxa básica de juros na maior economia do mundo e sinalizar mais uma alta neste ano.
Índice de referência do mercado acionário, o Ibovespa recuou 0,59%, a 185.394,66 pontos, de acordo com dados preliminares, após marcar 186.738,25 na máxima e 184.753,98 na mínima do dia.
O volume financeiro somava R$ 26,5 bilhões antes dos ajustes finais, em pregão também marcado por vencimento de opções sobre o Ibovespa.
A bolsa paulista fechou com investidores na expectativa da decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, com as apostas indicando redução da taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano.
Já o mercado de câmbio no Brasil teve mais uma sessão de volatilidade limitada, com o dólar encerrando o dia muito próximo da estabilidade, enquanto no exterior a moeda norte-americana ganhou força após o Federal Reserve subir juros e sinalizar a possibilidade de novos aumentos.
A moeda dos EUA à vista encerrou a sessão com variação negativa de 0,05%, a R$ 5,1519.
Enquanto isso, os preços do petróleo recuam nesta quarta-feira, com os contratos futuros do petróleo Brent caindo para US$ 105 o barril, à medida que relatos de que a Arábia Saudita estava oferecendo cargas adicionais de petróleo bruto via Omã aliviaram a preocupação com a dimensão das interrupções no fornecimento.
Às 17h (de Brasília), os barris do Brent, que servem de referência para o petróleo global, caíam cerca de 3%, abaixo dos US$ 106. O WTI, por sua vez, cedia cerca de 3,5%, cotado a US$ 102,04 o barril.
A queda no exterior pressiona uma das principais ações do Ibov, a Petrobras. No mesmo horário, as ações ordinárias e prefenrenciais da petroleira caíam mais de 2%.
O movimento de baixa no índice também é puxado pela Vale, que cede 0,63%, na contramão do minério de ferro. A commodity fechou em ligeira alta (0,14%) na China, cotada a 709 iuanes (US$105,73) por tonelada.
O Itaú Unibanco, por sua vez, cede 0,30%, interrompendo as altas vistas no pregão anterior.
Agenda econômica intensa
Nesta terça, o Federal Reserve anunciou sua decisão de política monetária, votando unanimamente pelo primeiro aumento dos juros desde 2023, em 0,25 ponto percentual.
A decisão foi motivada pela inflação persistentemente alta e pelo aumento global dos custos de financiamento, o que intensificará o escrutínio sobre como o chair do banco central dos EUA, Kevin Warsh, descreverá a primeira mudança na política monetária durante seu mandato.
Na cena nacional, no fim do dia o Banco Central deve anunciar a quinta redução seguida da Selic, em 0,25 ponto, na última decisão do Copom antes da eleição presidencial de outubro.
Segundo o Boletim Focus da última segunda-feira (14), o mercado aposta que esse será o último corte de juros do ano.
Na agenda econômica brasileira, o Banco Central divulgou há pouco seus dados do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica) de julho. De acordo com o BC, o índice registrou queda de 0,20% em relação ao mês anterior.
Economistas consultados pela Reuters esperavam por um recuo de 0,10%.
Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o IBC-Br teve alta de 1,1%, enquanto no acumulado em 12 meses passou a um ganho de 1,5%, de acordo com números não dessazonalizados.
O mercado ainda digere o julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) da véspera.
A sessão adiou a decisão final sobre juntar ou não as análises de um relatório da Polícia Federal, que apontou supostas mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro com o ministro da corte Alexandre de Moraes.
Reunião também não decidiu sobre o pedido feito por Moraes, que acusa o colega André Mendonça de abuso de autoridade e improbidade administrativa.
*Com informações da Reuters


