Ibovespa fecha em alta com fiscal e eleição no radar; dólar cai

Mercado também reage às novas pesquisas eleitorias e ao corte da Selic, realizado ontem pelo Banco Central, baixando a taxa para 13,75%

Da CNN Brasil*
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O Ibovespa fechou em alta assegurada principalmente pelo desempenho robusto da blue chip Vale nesta quinta-feira (17), após reação negativa no pregão ao anúncio de reajuste do Bolsa Família e seus potenciais efeitos nas contas públicas e no cenário eleitoral.

Nova pesquisa eleitoral também ocupou as atenções, reforçando o cenário de disputa acirrada pelo Palácio do Planalto, assim como a decisão de política monetária do Banco Central, que reduziu a Selic a 13,75% e deixou em aberto os próximos movimentos.

O índice de referência do mercado acionário brasileiro subiu 0,24%, a 185.992,03 pontos, chegando a 186.740,72 pontos na máxima do dia.

No pior momento, cravou 183.242,37 pontos, queda de 1,2%.

O volume financeiro no pregão somava R$ 24,1 bilhões antes dos ajustes finais, em sessão ainda marcada por ganhos em Wall Street e queda dos preços do petróleo no mercado internacional.

Por sua vez, o dólar fechou em leve baixa no Brasil, após ter subido mais cedo com o mercado reagindo negativamente ao anúncio de reajuste do Bolsa Família, com impacto fiscal para este ano e o próximo estimado pelo governo em um total de R$ 27,8 bilhões.

A moeda dos EUA encerrou a sessão com variação negativa de 0,25%, a R$ 5,1392.

Bolsa Família

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta manhã um reajuste de aproximadamente 15% nos benefícios do Bolsa Família, que já valerá para os pagamentos feitos em outubro, levando o piso do programa a R$ 691 por família, de R$ 600 antes.

Em anúncio ao lado de Lula, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que o custo da medida é de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de R$ 22 bilhões em 2027.

A reação negativa do mercado foi imediata, com o dólar ganhando força ante o real e as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) de longo prazo passando a exibir altas.

Operador ouvido pela Reuters chamou a atenção justamente para o aumento das despesas, em um cenário que já é de dificuldades para o equilíbrio das contas públicas.

O anúncio do governo também é mais um fator com potencial para impactar a disputa pela Presidência, em um momento em que Lula tem se enfraquecido nas pesquisas de opinião em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Período eleitoral

Mais cedo, o dólar sustentava perdas após uma nova pesquisa eleitoral mostrar leve ampliação da vantagem numérica de Flávio sobre Lula, ainda que os dois permaneçam em empate técnico.

A nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou Flávio com 47,2% das intenções de voto no segundo turno, contra 46,8% de Lula. Como a margem de erro é de 1 ponto percentual, os dois seguem tecnicamente empatados, mas Flávio ampliou ligeiramente sua vantagem numérica. No levantamento anterior, o senador tinha 46,4% e Lula somava 46,2%.

Nas últimas semanas, o fortalecimento da candidatura de Flávio tem favorecido o chamado “trade eleitoral”, que se traduz na alta do Ibovespa e na queda do dólar e das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros).

Isso porque Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação.

Na noite de quarta-feira (16), o Banco Central cortou em 25 pontos-base a taxa básica Selic, para 13,75% ao ano, deixando em aberto o próximo passo na política monetária. A decisão foi anunciada à noite, com os mercados fechados e já após o Federal Reserve ter elevado em 25 pontos-base a taxa norte-americana, para a faixa de 3,75% a 4,00%.

O estreitamento do diferencial de juros -- com o BC cortando a Selic no Brasil e o Fed elevando a taxa nos EUA -- é um fator altista para o dólar, mas profissionais ouvidos pela Reuters nas últimas semanas têm destacado a importância do “trade eleitoral” para a baixa das cotações. O estreitamento também já estava precificado pelos mercados, com ambas as decisões de juros tendo vindo em linha com o esperado.

Ainda nesta quinta-feira o Datafolha divulga sua nova pesquisa eleitoral.

*Com informações da Reuters 

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