Ibovespa fecha em baixa e acumula 1ª queda semanal desde agosto; dólar sobe
Pesquisa Datafolha indicou mais um empate técnico entre os candidatos Lula e Flávio Bolsonaro, enquanto Banco do Japão elevou sua taxa de juros para nível mais alto em 31 anos
O Ibovespa fechou com uma queda modesta nesta sexta-feira (18), acumulando a primeira perda semanal desde meados de agosto, com investidores ajustando apostas.
Com o cenário eleitoral seguindo sob os holofotes, investidores também voltaram as atenções para eventos como o primeiro aumento de juros nos Estados Unidos desde 2023 e o corte na taxa Selic no Brasil nos últimos dias.
O índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,41%, a 185.229,17 pontos, na sessão, acumulando um declínio de 1,02% na semana.
No dia, alcançou 185.991,47 pontos na máxima. Na mínima, marcou 184.460,91.
O volume financeiro somava R$ 26,14 bilhões antes dos ajustes finais, em pregão influenciado ainda pelo vencimento de opções sobre ações na bolsa paulista.
Por sua vez, o dólar fechou próximo da estabilidade no Brasil, em paralelo à perda de força da moeda norte-americana ante outras divisas durante a tarde, em uma sessão sem gatilhos fortes para as cotações.
A divisa norte-americana à vista encerrou a sessão com variação positiva de 0,11%, a R$ 5,1451. Na semana, a divisa acumulou alta de 0,39% e, no ano, baixa de 6,27%.
Das ações de peso do Ibovespa, a Vale cede mais de 1%, devido a incerteza persistente em relação à demanda, o aumento dos estoques de minério nos portos e as margens reduzidas do setor siderúrgico.
A Petrobras, por sua vez, também cede em meio a oscilações do petróleo. O Brent cede levemente neste início de tarde, mas ainda se mantém acima dos US$ 100 por barril.
Já o Itaú Unibanco cai por volta de 0,3%, em meio a alta nos juros futuros com vencimento em janeiro de 2028.
Cenário eleitoral
Investidores digerem nesta sexta-feira nova pesquisa Datafolha sobre o cenário eleitoral, enquanto no exterior ações e títulos caíam ao final de uma semana marcada por decisões de política monetária.
O levantamento do Datafolha divulgado na véspera mostrou que a vantagem numérica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno na eleição presidencial de outubro se manteve.
O cenário mostra um empate técnico dentro da margem de erro, que é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Brancos e nulos são 8% e indecisos 1%.
O índice se manteve igual ao do último levantamento, em 11 de setembro.
Ainda na agenda nacional, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, palestra no Fórum CEO Brasil a partir das 18h, depois de Lula ter assinado, a menos de 20 dias do primeiro turno das eleições presidenciais, decreto na quinta para reajustar em 15% os benefícios do Bolsa Família a partir de outubro.
O movimento repercutiu negativamente nos mercados.
Decisões de juros mundo afora
No exterior, a política monetária foi o principal foco nesta semana, enquanto a guerra no Oriente Médio se aproxima da marca de sete meses com poucos sinais de que vá terminar, mantendo os preços do petróleo acima de US$ 100 por barril e alimentando temores de inflação.
Nesta sexta, o Banco do Japão elevou a taxa de juros para o nível mais alto em 31 anos, a 1,25%, com seu presidente sinalizando que o banco central entrou em uma nova fase voltada a evitar que a inflação ultrapasse sua meta, abrindo caminho para novos aumentos.
A decisão do Banco do Japão encerra a rodada de reuniões dos principais bancos centrais, na qual as autoridades elevaram a retórica mais "dura".
Na quarta-feira (16), os BCs dos Estados Unidos e Brasil também modificaram a trajetória de juros em uma "superquarta".
O Fed (Federal Reserve) subiu os juros em 0,25 ponto, no primeiro aperto da taxa em três anos. Agora, a banda de referência da autoridade monetária está entre 3,75% e 4%. A decisão foi unânime.
Já no Banco Central do Brasil, os diretores resolveram cortar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual. Com isso, a Selic está agora no patamar de 13,75%. A decisão também foi unânime.
Setembro registrou o maior aumento nas taxas de juros médias entre os países do G10 desde julho de 2023, com quatro bancos centrais elevando os juros e outros sinalizando que poderão precisar fazer o mesmo em um futuro não muito distante.
*Com informações da Reuters


