Ibovespa fecha em alta e dólar cai a R$ 5,10 com eleições e exterior
Após abrir o dia em queda, Bolsa reverteu sinal em um tom de recuperação e ajustes
O Ibovespa passou a subir nas últimas horas do pregão desta terça-feira (22), à medida que os investidores digerem o cenário eleitoral e a recuperação de ativos no exterior.
Neste final de dia, o mercado financeiro brasileiro operou em um tom de recuperação e ajustes, impulsionado pelo alívio no cenário internacional, escreve Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, em análise do fechamento do mercado desta terça.
"O Ibovespa abriu o pregão em queda, reagindo com cautela às sinalizações da ata do Copom, na qual o Banco Central adotou um tom mais duro e prudente, reforçando a necessidade de manter a taxa de juros em patamares contracionistas por tempo prolongado para conter a inflação e mitigar os riscos fiscais. Contudo, o índice conseguiu reverter as perdas ao longo da sessão e passou a operar em território positivo", avalia Nossig.
O principal indicador do mercado brasileiro de ações inverteu o sinal visto pela manhã e fechou em alta de 0,44%, aos 187.422,92 pontos.
Nos Estados Unidos, os índices S&P 500 e Nasdaq operam em altas de, respectivamente, 0,13% e 0,52%. Por outro lado, o Dow Jones cai 0,19%.
"No mercado norte-americano, o clima de otimismo foi ainda mais evidente no setor de tecnologia, com os índices S&P 500 e Nasdaq batendo novos recordes históricos nominais logo nas primeiras horas de negociação", enfatiza a analista da Nomad.
"Esse rali em Wall Street foi sustentado tanto pelo recuo nos custos de energia quanto pelo entusiasmo contínuo com as inovações corporativas ligadas à inteligência artificial, embora o índice Dow Jones tenha apresentado um comportamento mais misto e operado em leve queda durante parte do pregão", ressalta.
Na véspera, o índice avançou 0,82%, a 186.595,60 pontos, com investidores também repercutindo nova pesquisa eleitoral e o ambiente favorável do exterior.
"As pesquisas vêm mostrando uma disputa apertada, e boa parte do mercado fica animada com a expectativa de um cenário mais previsível na parte fiscal, seja lá quem ganhar. Como dizem lá na mesa de operações, enquanto outubro não chega, é pesquisa que faz preço", observa Davi Lelis, especialista e sócio da Valor Investimentos.
Outro motor que aponta para a alta desta terça são "os bancões", que sustentam o desempenho do índice nos dias de apetite por risco.
Bradesco, Itaú Unibanco e BTG Pactual operam entre as principais altas do dia.
Câmbio e petróleo
Já o dólar recua em dia de petróleo negociado abaixo dos US$ 100 e com a cena doméstica voltada à ata do último encontro do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central.
"A queda nas cotações da commodity foi impulsionada pelo alívio nas tensões geopolíticas no Oriente Médio, pelo aumento na fluidez do transporte de navios no Estreito de Ormuz e pela eficácia das rotas alternativas do escoamento saudita. O arrefecimento do petróleo reduziu as pressões inflacionárias globais e ampliou o apetite por ativos de risco em mercados emergentes", explica Nossig.
"Acompanhando essa melhora no sentimento global, o dólar passou por oscilações durante o dia, mas manteve-se em um patamar comportado e refletindo a menor aversão ao risco por parte dos investidores frente ao cenário externo", conclui.
No fechamento, a moeda norte-americada à vista encerrou em queda de 0,08%, aos R$ 5,1040 na venda.
No âmbito das commodities, o petróleo cede nesta terça, estendendo as perdas vistas nos últimos 12 dias.
Após notícias de uma possível reabertura do Estreito de Ormuz, o otimismo em relação ao fluxo de petróleo no Oriente Médio levou o contrato futuro do petróleo Brent a baixa de 1,09%, para US$ 99,25. O contrato do WTI para novembro, cedeu 2%, para US$ 90,52 o barril.
Agenda eleitoral e política
Na cena nacional, a pesquisa Quaest divulgada na segunda agita os humores, após mostrar que Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estão empatados tecnicamente na disputa presidencial, registrando apenas um ponto percentual de diferença em um eventual segundo turno.
Já nesta tarde, investidores digerem a divulgação do Boletim Macrofiscal do Ministério da Fazenda, com projeções de curto e médio prazo para indicadores de atividade econômica e inflação utilizados no processo orçamentário da União.
O governo federal reduziu para 2% a projeção do PIB (Produto Interno Bruto) de 2026. Na edição de julho, a projeção da Fazenda era de crescimento econômico de 2,3% neste ano.
Com informações da Reuters


