Ibovespa fecha em alta com dados de inflação dos EUA; dólar cai a R$ 5,17
Mercado acompanha ainda relatório de empregos privados no país norte-americano, enquanto cenário eleitoral se mantém no radar em semana de primeiro turno
O Ibovespa fechou em alta nesta quarta-feira (30), em um pregão marcado pelo desempenho robusto das ações de bancos e por dados de inflação abaixo das expectativas nos Estados Unidos.
O principal índice do mercado acionário brasileiro avançou 1,37%, aos 186.340,46 pontos. Em setembro, acumulou alta de 5,26%, enquanto, no terceiro trimestre, o avanço foi de 8,56%.
Nos Estados Unidos, o índice de preços PCE subiu 0,3% no mês passado, após uma alta revisada para 0,1% em julho, segundo dados divulgados nesta quarta pelo Escritório de Análise Econômica do Departamento de Comércio.
"O indicador, que é a medida de inflação preferida do Federal Reserve, trouxe um alívio ao confirmar a desaceleração dos preços na economia norte-americana, estimulando um apetite global por ativos de risco que se converteu em forte fluxo de compras na B3", avaliou Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.
Por outro lado, os dados pressionaram o dólar, que caiu em relação ao real, e reforçaram as apostas do mercado de que o Federal Reserve não deve elevar os juros em outubro.
A moeda norte-americana à vista encerrou a sessão com baixa de 0,76%, a R$ 5,1735. No mês, a divisa acumulou queda de 0,15% e, no ano, recuo de 5,75%.
Para o estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, os dados do exterior reforçam um cenário em que a economia dos EUA continua mostrando força e o mercado de trabalho permanece capaz de gerar empregos.
Ao mesmo tempo, a inflação segue como um desafio, mas veio mais branda do que o mercado esperava.
"Para os investidores, essa combinação traz algum alívio. A inflação ainda sustenta a perspectiva de novas altas de juros, mas a surpresa mais moderada do PCE pode indicar que parte da pressão já foi antecipada pelo mercado e incorporada à curva", afirma.
"Com isso, o movimento recente de alta dos yields dos títulos americanos pode perder intensidade, ainda que o cenário de juros mais elevados permaneça no radar."
Juros moldam humores
As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) fecharam o dia com leves baixas, em meio ao cenário exterior e período eleitoral brasileiro.
No fim da tarde, os juros futuros para janeiro de 2028 estava em 13,55%, com baixa de 2 pontos-base ante o ajuste de 13,57% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 13,96%, com recuo de 4 pontos-base ante 13,99%.
"A desvalorização do câmbio refletiu diretamente a entrada de capital estrangeiro buscando oportunidades nas ações brasileiras e o consequente alívio na curva de juros locais, retirando o prêmio de risco sobre a moeda norte-americana neste encerramento de mês", afirmou a estrategista da Nomad.
*Com informações da Reuters


