Petróleo fecha em alta de 6%, acima de US$ 107 pela 1ª vez desde maio

Aumento das hostilidades no Oriente Médio e pausa nos diálogos entre EUA e Irã pressionam preço da commodity

Da CNN Brasil*
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Os preços do petróleo fecharam em disparada nesta quinta-feira (10), com o barril superando US$ 107 pela primeira vez desde maio.

O movimento ocorre à medida que os investidores se preparam para uma guerra prolongada entre Estados Unidos e Irã, além dos choques de oferta da commodity, enquanto os ataques continuam nos estreitos de Ormuz e Bab-al-Mandeb.

Negociado na ICE (Intercontinental Exchange de Londres), o petróleo Brent para novembro, fechou em alta de 6,34% (US$ 6,42), a US$ 107,63 o barril.

O petróleo WTI acompanhou o Brent, avançando 6,7% (US$ 6,43), a US$ 102,48 o barril, na Nymex (New York Mercantile Exchange), seu maior valor em três meses.

Os houthis, alinhados ao Irã, assumiram nesta quinta-feira o controle da histórica cidade portuária de Mocha, na costa oeste do Iêmen, ampliando ainda mais seu controle perto do estreito de Bab al-Mandeb, no Mar Vermelho. O trecho é utilizado como alternativa de escoamento de petróleo ao Estreito de Ormuz, do outro lado da Península Arábica.

O grupo também lançou ataques contra as estratégicas ilhas de Hanish, no Mar Vermelho, segundo fontes ouvidas pela Reuters. Forças governamentais do Iêmen, aliadas à Arábia Saudita, estão se deslocando para o sul, em direção a Dhubab, cidade localizada diretamente no estreito, do outro lado da ilha de Perim.

O conflito abre uma segunda frente de guerra na disputa envolvendo o Irã e ameaça o fornecimento global de energia.

Enquanto isso, no Golfo Pérsico, o Irã retomou sua produção de mísseis balísticos usando componentes estocados e trabalhando em instalações subterrâneas, informou o Wall Street Journal. Autoridades árabes e israelenses alertaram que há possibilidade de extensão da guerra por tempo prolongado, conforme o jornal.

O diretor-geral da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), Rafael Grossi, disse nesta quinta que a entidade está perdendo conhecimento sobre o programa nuclear do regime persa.

Na quarta-feira, o Wall Street Journal também relatou que o presidente dos EUA, Donald Trump, foi alertado por conselheiros de que a guerra contra o Irã poderia durar até 2029. As informações contradizem as últimas declarações do presidente de que a guerra poderia acabar logo após as eleições de meio de mandato dos EUA, em novembro.

Para Phil Flynn, do Price Futures Group, outra grande parte do problema é a capacidade de refino do petróleo. "Essa escassez foi exposta pelos ataques ucranianos a plantas russas e pelas interrupções através de Ormuz", explica.

Com a escalada de tensão, os mercados reforçam expectativas de aumento dos juros nos EUA e na Europa neste mês.

Nova previsão de crescimento global

A Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) reduziu nesta quinta-feira sua previsão para o crescimento da demanda mundial de petróleo em 2026 para 380 mil barris por dia, de acordo com uma cópia do relatório mensal do grupo, marcando a quinta revisão consecutiva para baixo.

O grupo de produtores continua a ver um impacto menor no consumo desde o início da guerra no Irã do que o previsto por outras entidades, como a IEA (Agência Internacional de Energia), que espera uma diminuição da demanda em 2026.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo também elevou sua previsão para o crescimento da demanda por petróleo em 2027, de acordo com o relatório publicado em seu site.

Com informações da Reuters e Estadão Conteúdo

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