Petróleo cai com Arábia Saudita oferecendo commodity por meio de Omã
Preços recuam com a redução de temores sobre interrupções no abastecimento do Oriente Médio

Os preços do petróleo fecharam em queda nesta quarta-feira (16), após notícias de que a Arábia Saudita estaria oferecendo cargas adicionais da commodity por meio de Omã, o que minimizou as preocupações sobre interrupções no abastecimento do Oriente Médio.
Os contratos futuros do petróleo Brent caíram US$ 2,92, ou 2,7%, fechando a US$ 105,83 o barril. Os contratos futuros do WTI (West Texas Intermediate) dos Estados Unidos caíram US$ 3,40, ou 3,2%, fechando a US$ 102,43.
A Arábia Saudita está oferecendo mais carregamentos de petróleo às refinarias asiáticas por meio de transferências de navio para navio ao largo do porto de Sohar, em Omã, segundo fontes a par do assunto, amenizando parte do impacto sobre o abastecimento global causado pelos ataques ao oleoduto Leste-Oeste do país, que se estende até o Mar Vermelho.
Segundo Giovanni Staunovo, analista do UBS, "as notícias sobre as exportações da Arábia Saudita a partir do Golfo Pérsico sugerem que as preocupações de que a interrupção possa ser maior estão diminuindo”.
Na véspera, a commodity teve um avanço superior a 2%, depois que ataques à infraestrutura energética da Arábia Saudita deixaram o oleoduto Leste-Oeste do reino fora de operação.
Os contratos futuros do petróleo Brent encerraram os negócios em alta de 2,9%, a US$ 108,75 por barril, enquanto os contratos futuros do WTI (West Texas Intermediate) dos EUA registrou alta de 4,38%, a US$ 105,83 por barril.
Na sexta-feira, a Arábia Saudita anunciou que havia fechado a área, atribuindo a decisão a ataques de drones provenientes do interior do Iraque, que, segundo o país, causaram "feridos e alguns danos".
Nenhum grupo reivindicou a responsabilidade, mas o presidente dos EUA, Donald Trump, apontou suspeitas sobre grupos proxy apoiados pelo Irã que operam dentro do Iraque. O Ministério das Relações Exteriores do Irã "negou categoricamente" a acusação na segunda-feira.
O Oleoduto Leste-Oeste — que se estende até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, e abastece as refinarias costeiras sauditas — mostrou-se fundamental para o redirecionamento de milhões de barris de petróleo bruto saudita do Golfo Pérsico durante a guerra.
Até 4% do fornecimento mundial de petróleo pode ser retirado do mercado em razão do fechamento do oleoduto, de acordo com uma nota da Capital Economics publicada na segunda-feira.
Estoques dos EUA
Os preços do petróleo foram alvos de nova pressão depois que a AIE (Administração de Informações sobre Energia dos EUA) divulgou nesta quarta-feira uma redução menor do que o esperado nos estoques da commodity do país na semana passada.
Os estoques de petróleo no maior país produtor reduziram cerca de 640 mil barris na última semana, em comparação com as expectativas de uma redução de 1,62 milhão de barris, de acordo com uma pesquisa da Reuters com analistas do setor de energia.
Já a gasolina e destilados dos EUA aumentaram. O aumento nos estoques de diesel foi maior do que o esperado.
Os dados apontam que os estoques de produtos refinados estão se mantendo estáveis e até mesmo aumentando ligeiramente, enquanto as quedas nos estoques de petróleo estão estagnadas, disse John Kilduff, sócio da Again Capital.
Outros analistas alertaram que os dados pouco contribuíram para alterar um mercado que permanece em suspense, à medida que a violência continua a se intensificar no Oriente Médio.
“No geral, os dados de hoje pouco fizeram para nos afastar de uma postura de negociação otimista de longa data, na qual comprar em recuos significativos de preço continua sendo muito preferível a qualquer tentativa de prever o pico deste mercado em alta”, afirmou a consultoria de negociação de petróleo Ritterbusch and Associates em uma nota aos clientes.
*Com informações da Reuters


