Petróleo cai pela 5ª vez seguida com possibilidade negociação EUA-Irã

Brent para novembro fechou em queda de 1,09%, a US$ 99,25 o barril, e o WTI para o mesmo mês recuou 2%, a US$ 90,52 o barril

Da CNN Brasil*
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O preço do petróleo fechou em queda nesta terça-feira (22), acumulando a quinta sessão seguida em baixa. Isso se ocorreu por causa das movimentações em torno de possíveis negociações entre Estados Unidos e Irã à margem da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York.

Negociado na ICE (Intercontinental Exchange de Londres), o petróleo Brent para novembro, fechou em queda de 1,09% (US$ 1,09), a US$ 99,25 o barril.

Já o petróleo WTI para mesmo mês recuou 2% (US$ 1,85), a US$ 90,52 o barril na Nymex.

Na manhã desta terça-feira, o petróleo já sinalizava uma pausa no ciclo de baixas, mas voltou a cair após declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, durante discurso na ONU.

O republicano afirmou que o fluxo de petróleo no Golfo Pérsico está maior do que em qualquer momento desde o início da guerra. Mais tarde, disse que uma delegação americana se reuniu por mais de três horas com representantes iranianos e classificou a conversa como "muito produtiva".

Trump também se encontrou com o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, e afirmou a jornalistas, antes da reunião, que os ataques de Kiev à Rússia vêm atingindo duramente o governo de Vladimir Putin, com reflexos sobre os preços do diesel.

Questionado sobre a possibilidade de interromper exportações americanas do derivado, disse que a Casa Branca avalia a viabilidade de uma restrição, total ou parcial.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse nesta terça-feira que Washington apoiará o reino saudita contra a milícia Houthi, se necessário.

Mais cedo, a estatal de petróleo da Líbia, National Oil Corporation (NOC), informou que parte das operações foram interrompidas, em meio a uma paralisação que já reduziu a produção em cerca de 130 mil barris por dia.

A estatal alertou para o risco de "paralisia completa" das operações do complexo e disse que prepara uma declaração de força maior "nas próximas horas", caso a situação não se resolva.

O Irã se ofereceu para reabrir o Estreito de Ormuz em até sete dias caso os EUA tomem medidas iniciais para aliviar a pressão militar, disse uma alta ⁠autoridade do governo iraniano à Kyodo News nesta ​terça-feira, como parte dos esforços intensificados de Teerã para retomar as negociações com Washington.

Os preços do petróleo parecem estar ​caindo devido a reportagens da mídia de que o Irã pode estar disposto a reabrir o Estreito de Ormuz dentro de ⁠sete dias.

Isso poderia ser um sinal positivo de que ⁠os esforços diplomáticos podem estar surtindo efeito, disse Hamad Hussain, economista sênior especializado em clima e commodities ​da ‌Capital Economics.

Antes do início dos ataques dos EUA e de Israel ao Irã, no final de fevereiro, o estreito era responsável por ⁠cerca de um quinto do abastecimento global de petróleo e gás natural liquefeito.

“Também pode haver outros obstáculos, como a questão de pedágios e taxas, a serem superados antes que uma solução duradoura possa ser alcançada”, acrescentou Hussain.

O foco do mercado também está nas reuniões do presidente dos ‌EUA, ⁠Donald Trump, com líderes ‌mundiais na Assembleia Geral da ONU nesta semana, tendo como pano de fundo um Oriente Médio instável e uma guerra na Ucrânia que já dura quatro anos e meio e não dá sinais de abrandamento.

Teerã e Washington trocaram ameaças no domingo, embora Trump tenha afirmado que ⁠estaria aberto a se reunir com o presidente iraniano Masoud Pezeshkian, que ⁠deve estar em Nova York nesta semana para a reunião da ONU.

No fim de semana, o Irã também transmitiu suas condições aos mediadores para retomar as negociações, ‌informou a Al Jazeera, citando o chefe de segurança do Irã, Mohsen Rezaei.

Enquanto isso, a Saudi Aramco aumentou as exportações pelo Estreito de Ormuz depois que ataques ao seu oleoduto Leste-Oeste a forçaram a interromper alguns embarques por Yanbu.

Cerca de 14 milhões de barris de petróleo bruto foram carregados em sete superpetroleiros no Golfo no domingo, segundo dados de rastreamento de navios-tanque.

Por outro ‌lado, um grupo armado fechou a válvula sete do oleoduto de petróleo bruto de Sharara, na Líbia, com destino ao porto de Zawiya, na segunda-feira (21), resultando em uma queda significativa na produção do campo petrolífero de Sharara, informou a Corporação Nacional de ⁠Petróleo da Líbia em um comunicado.

A produção no campo caiu cerca de 200 mil barris por dia e está atualmente entre 100 mil e 105 mil bpd, disseram dois engenheiros do campo à Reuters.

Ole Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank, disse que ​não vê muito espaço para queda adicional nos preços do petróleo até que haja um aumento na oferta pelo Estreito de Ormuz, particularmente ​de produtos refinados, onde a verdadeira escassez persiste.

Os preços do diesel subiram na Europa e nos Estados Unidos, atingindo níveis recordes, à medida que as guerras no Irã e na Ucrânia reduziram drasticamente as exportações de alguns dos maiores produtores, como Rússia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

*Com informações da Reuters

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