Juros futuros encerram estáveis com investidores receosos sobre caso Master

Taxa para janeiro de 2028 estava em 13,62%, em baixa 1 ponto-base ante o ajuste de 13,633% da sessão anterior

Por Fabricio de Castro, da Reuters

Após cederem na maior parte do dia, as taxas dos DIs se recuperaram durante a tarde e fecharam a ​sexta-feira (11) próximas da estabilidade, em meio a receio dos investidores de que ​o fim do sigilo dos documentos do caso Master possa prejudicar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,62%, em baixa 1 ponto-base ante o ajuste de 13,633% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,165%, estável ante 14,164%.

Durante a tarde desta sexta-feira, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, deu 24 horas para que o ministro André Mendonça retire o sigilo de todos ⁠os documentos das investigações do caso Master, deixando de ​fora apenas informações de diligências ainda em curso que, se tornadas públicas, podem prejudicar as investigações.

No mercado, a percepção ​é de que o fim do sigilo pode atingir a popularidade de Flávio, hoje o principal oponente do presidente Luiz Inácio Lula ⁠da Silva (PT) na disputa pelo Planalto.

Anteriormente, um áudio em que ⁠Flávio pede dinheiro a Daniel Vorcaro, ex-dono do banco Master, para supostamente financiar o filme Dark Horse já ​havia ‌causado estragos na candidatura do senador.

O filme conta a história do pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar ⁠por tentativa de golpe de Estado.

Para além da crise no STF, os investidores aguardavam a divulgação de nova pesquisa Datafolha prevista para a noite desta sexta-feira.

Operador da área de renda fixa ouvido pela Reuters pontuou que o medo com o noticiário do fim de semana, que pode atingir Flávio, ‌fez ⁠parte dos investidores comprar ‌taxa à tarde, como forma de proteção. Isso apagou as perdas vistas mais cedo na curva a termo.

Após marcar a mínima de 13,999% (-17 pontos-base) às 10h03, a taxa do DI para janeiro de 2035 atingiu a máxima de 14,215% (+5 pontos-base) às 15h51, quando o dólar também estava próximo ⁠da máxima do dia ante o real.

Pela manhã, a divulgação de novos ⁠dados sobre a economia brasileira havia trazido um viés negativo para as taxas futuras.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA, o índice oficial de ‌preços, registrou deflação de 0,32% em agosto ante julho. A queda de preços foi maior que a projeção de economistas ouvidos pela Reuters, de deflação de 0,29%.

Nos 12 meses encerrados em agosto, houve alta de 4,22%, abaixo dos 4,27% projetados.

A abertura do indicador também trouxe alguns números favoráveis. A inflação de serviços desacelerou de 0,54% em julho para 0,03% em agosto, enquanto a taxa dos serviços ‌subjacentes – que excluem itens mais voláteis – passou de 0,42% para 0,40% no período, segundo cálculos do banco Bmg.

Além do IPCA, dois profissionais ouvidos pela Reuters citaram o efeito do Índice Cielo de Varejo Ampliado (ICVA) da Cielo, também divulgado pela manhã, sobre a curva. O ⁠indicador mostrou que as vendas do varejo cederam 2% em agosto ante o mês do ano passado, descontada a inflação.

Foi o pior desempenho para agosto desde 2020, em meio à pandemia de Covid-19.

Os dados do IPCA e do ICVA somam-se a outros números da economia divulgados ​recentemente que apontaram para a desaceleração da atividade econômica e dos preços no Brasil, corroborando as apostas dos investidores de nova redução de 25 ​pontos-base da taxa básica Selic este mês, com possível novo corte em novembro. Atualmente a Selic está em 14%.

Nos EUA, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,4% em agosto, em linha com o projetado pelos economistas em pesquisa da Reuters. Às 16h36, o rendimento do Treasury de dez anos – referência global para decisões de ‌investimento – subia 3 pontos-base, a 4,969%.

 

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