Apesar de avanço, Caixa vê estabilidade na inadimplência da carteira agro

CEO do banco comemorou o lucro líquido de R$ 3,9 bilhões, mas citou cenário desafiador para o mercado como um todo, em particular para o mercado financeiro

Pedro Zanatta, da CNN Brasil, São Paulo
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Ao comentar o balanço da Caixa Econômica Federal, o vice-presidente da instituição, Marcos Brasiliano Rosa, disse que enxerga uma estabilização da inadimplência na carteira de crédito agro do banco.

No segundo trimestre, esse portfólio apresentou uma taxa de inadimplência acima de 90 dias de 20,74%.

O dado representa um crescimento quando comparado ao resultado do primeiro trimestre, de 18,29%, e um salto na comparação com o resultado de um ano antes, que era de 7,02%.

"Nós já olhamos para essa curva como uma estabilidade, com perda de velocidade", afirmou em apresentação sobre o balanço do banco, que foi divulgado na quarta-feira (26).

Os executivos presentes na apresentação explicaram que a continuidade da melhora se dá, em parte, nas renegociações por meio do programa de reestruturação de dívidas do setor rural, lançado pelo governo no mês passado.

Cenário desafiador

O presidente da Caixa, Carlos Vieira, ressaltou na apresentação dos números que o segundo trimestre desse ano, para mercado financeiro em particular, foi desafiador.

Na véspera, a Caixa registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre, montante 5,9% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

De acordo com o banco estatal, o resultado do período foi acompanhado pela expansão da carteira de crédito, que encerrou o segundo trimestre de 2026 em R$ 1,45 trilhão, alta de 11,9% na base anual, além da captação e das receitas de prestação de serviços.

Inadimplência e Novo Desenrola

Após a apresentação, o vice-presidente de varejo da Caixa, Adriano Assis Matias, foi questionado sobre os efeitos do Novo Desenrola nos resultados do crédito comercial.

Segundo Matias, o resultado teria sido pior sem o programa de renegociação de dívida.

"O Desenrola tem sido muito importante para a gestão da adimplência da nossa carteira", afirmou.

O índice de inadimplência do banco foi de 3,64% no segundo trimestre. Segundo os executivos, a dinâmica não deve fazer com que a Caixa adote uma postura mais restritiva para o crédito, já que os números estão controlados.

Por outro lado, o banco elevou em quase 98% suas provisões para risco de crédito, ou seja, o montante que a instituição separa para perdas esperadas com empréstimos que correm o risco calote.

No segundo trimestre, esses valores somaram R$ 7 bilhões. Já no primeiro semestre, as provisões alcançam R$ 13,5 bilhões.

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