Citi corta preço-alvo de bancos brasileiros por deterioração macroeconômica
Bradesco, Itaú e BTG permaneceram com recomendação de compra, mas os preços-alvo foram reduzidos; Banco do Brasil e Santander tiveram recomendação mantida como neutra

Analistas do Citi cortaram o preço-alvo das ações de vários bancos brasileiros, afirmando que estão adotando uma postura mais cautelosa com o setor em meio à deterioração do cenário macroeconômico, com aumento das pressões sobre a qualidade dos ativos, especialmente no crédito ao consumidor e no agronegócio.
"Nós reduzimos nossos preços-alvo para refletir um custo de capital próprio mais elevado, impulsionado pela abertura da curva de juros e pela expectativa de juros mais altos por mais tempo", afirma relatório do banco norte-americano assinado por Gustavo Schroden, Arnon Shirazi e Brian Flores.
"Permanecemos seletivos, com Itaú Unibanco e BTG Pactual como nossas principais escolhas, onde acreditamos que a execução consistente trará resultados e onde os valuations atuais parecem desalinhados", escreveram no documento enviado a clientes na noite de terça-feira, no qual acrescentaram que Banco do Brasil e Santander Brasil são os nomes menos preferidos.
Itaú e BTG permaneceram com recomendação de compra, mas os respectivos preços-alvo passaram de R$54 para R$50 e de R$74 para R$70. Também com recomendação de compra, Bradesco teve o preço reduzido de R$24 para R$20. Banco do Brasil e Santander Brasil, que tiveram a recomendação mantida como neutra, viram os preços-alvo recuarem de R$25 para R$21 e de R$36 para R$28, respectivamente.
A equipe do Citi também diminuiu o preço para as units do BR Partners (de R$24 para R$20), dos papéis do Banco ABC (R$30 para R$28) e das ações do Agibank (de US$18 para US$16), com manutenção da recomendação de compra para os três.
De acordo com os analistas, um ambiente macroeconômico mais difícil está pressionando a qualidade dos ativos em todo o sistema bancário brasileiro.
"Observamos um aumento sistêmico de ativos problemáticos e de despesas com provisões, particularmente entre players digitais. Os níveis de inadimplência estão subindo impulsionados principalmente por pessoas físicas, com pontos específicos de pressão em financiamentos de veículos, cartões de crédito e crédito não consignado", argumentaram.
Eles destacaram que, embora o endividamento agregado das famílias permaneça estável -- em níveis elevados --, o comprometimento de renda com dívida está aumentando entre as camadas de menor renda, sugerindo uma pressão concentrada, não sistêmica, por enquanto.
"Ainda assim, o ambiente de juros mais altos por mais tempo no Brasil exige cautela no segmento corporativo. Portanto, é provável que isso limite o crescimento do crédito e reduza o potencial para revisões positivas adicionais nos lucros."


