Como Tim Cook transformou Apple em uma das empresas mais valiosas do mundo
Executivo se despede do comando da empresa após 15 anos

Quando Tim Cook assumiu o cargo de CEO da Apple em agosto de 2011, ele tinha uma grande responsabilidade pela frente. Seu antecessor, Steve Jobs, era amplamente considerado um dos maiores inovadores do mundo.
Quinze anos depois, Cook catapultou a empresa a patamares estratosféricos ao trilhar seu próprio caminho.
Seu sucessor, o chefe de engenharia de hardware John Ternus, terá uma missão bem diferente a seguir em 1º de setembro. Cook será lembrado por tornar o iPhone essencial para tudo, desde comprar um café e ouvir música até ir à academia ou pagar a fatura do cartão de crédito. Tudo isso graças aos serviços online e acessórios que Cook lançou ao longo da última década.
As ações da Apple dispararam mais de 2.000% durante seu período à frente da empresa. A companhia também atingiu brevemente uma capitalização de mercado de US$ 5 trilhões em julho, a segunda empresa na história a alcançar esse marco.
“(Cook) conseguiu levar o iPhone a um nível que ninguém imaginaria ser provável ou possível naquele período de tempo”, disse David Yoffie, professor da Harvard Business School e autor de um estudo de caso sobre a Apple e Tim Cook.
Mas chegar lá não se resumiu apenas a tomar decisões inteligentes sobre os produtos. Também envolveu navegar pelas relações políticas entre os EUA e a China – ambos cruciais para as operações da Apple e seu enorme império do iPhone – em um momento de tensão entre as duas nações.
Segundo Gene Munster, sócio-gerente da empresa de investimentos em tecnologia Deepwater Asset Management, que acompanha a Apple desde 2004, Cook é tanto um estadista quanto um CEO.
Cook assumiu o cargo de CEO com experiência em operações e gestão da cadeia de suprimentos. Mas foram sua abordagem tranquila, decisões rápidas e habilidade para negociação que ajudaram a manter a produção do iPhone funcionando sem problemas, apesar dos desafios geopolíticos, dizem os especialistas.
Ron Johnson, que supervisionou as operações de varejo da Apple de 2000 a 2011, descreveu Cook – então diretor de operações da empresa – como “inteligente” e “estratégico” durante reuniões semanais com Jobs e a equipe executiva da Apple.
“Ele era talvez o mais atencioso dos membros da equipe executiva”, disse Johnson à CNN. “Ele sempre ouvia primeiro e falava quando tinha algo a acrescentar".
Sob sua liderança, a Apple tomou uma decisão que a ajudou a driblar as altíssimas tarifas impostas pelo governo Trump. Pressionada a fabricar seus iPhones nos Estados Unidos, a empresa prometeu investir US$ 600 bilhões para expandir suas operações no país, incluindo a produção de componentes essenciais para o iPhone em território americano.
Mesmo durante o primeiro mandato de Trump, o presidente disse que Cook foi um dos poucos líderes que o telefonaram pessoalmente.
“Em termos de CEOs que Trump passou a respeitar, Tim Cook estaria no topo da lista”, disse Jeffrey Sonnenfeld, vice-reitor sênior de estudos de liderança da Yale School of Management e ex-conselheiro da Casa Branca.
Cook pressionou a empresa para diversificar parte da produção, reduzindo a dependência da China, sem deixar de atrair os consumidores e a liderança chinesa, o que, segundo Munster, é um feito raro.
"Não sei como se faz isso", disse ele. "Não sei se essa dinâmica faz sentido".
Ainda assim, a pandemia da Covid e as tarifas de Trump ilustraram como a dependência da Apple em relação à China pode ser um problema. Esse é apenas um dos obstáculos que Ternus herda.
Existe também a relação tensa com os órgãos reguladores na Europa, o segundo maior mercado da Apple; a empresa foi obrigada a fazer mudanças na forma como administra a App Store na região. A versão reformulada da Siri não será lançada na Europa devido às regras da União Europeia.
Depois, há a IA. A empresa enfrenta uma pressão crescente para alcançar a concorrência, especialmente após o seu último grande produto – o Vision Pro – não ter correspondido às expectativas. Entretanto, a escassez contínua de chips de memória devido à corrida pela IA obrigou a Apple e outras empresas a aumentarem os preços dos seus produtos.
Mas Cook deu um conselho a Ternus durante uma de suas últimas teleconferências de resultados como CEO: concentrar-se em criar produtos que "enriqueçam" a vida dos clientes.
“Se você continuar focando nisso e tomar suas decisões com base nisso, o resultado será um ótimo negócio”, disse ele em abril. “E poderemos criar mais produtos e fazer tudo de novo.”