Acordo entre americana e britânica leva níquel do Piauí para refino nos EUA

Segundo empresa, acordo vai avançar na construção de cadeia de suprimentos de minerais críticos mais competitiva e segura para Estados Unidos

Gabriel Garcia, da CNN Brasil, em Brasília

Mineradora britânica com atuação no Brasil, a Brazilian Nickel Limited assinou um memorando de entendimento com a norte-americana Westwin Elements para o fornecimento de níquel e cobalto produzidos no Projeto Piauí Níquel.

Segundo a empresa, o objetivo é avançar na construção de uma cadeia de suprimentos de minerais críticos mais competitiva e segura para os Estados Unidos, além de contribuir para o financiamento do principal projeto da Brazilian Nickel no Piauí.

O acordo é do tipo offtake, modalidade comum no setor mineral em que o comprador se compromete a adquirir parte da produção futura do projeto.

Esse tipo de contrato costuma ser usado como instrumento de garantia comercial, dando previsibilidade de receita e facilitando o acesso a financiamento para viabilizar a implantação e desenvolvimento da mina.

O acordo, ainda não vinculante, prevê a venda de até 10 mil toneladas por ano de níquel e entre 240 e 400 toneladas anuais de cobalto, ambos na forma de mixed hydroxide precipitate, um produto intermediário amplamente utilizado na cadeia global de baterias.

Esse material ainda não é o metal final, mas serve como insumo para o refino posterior, etapa na qual o níquel é transformado em produto de maior pureza, utilizado principalmente na fabricação de baterias, ligas metálicas e aplicações industriais estratégicas.

Pelo arranjo, o material produzido no Brasil seria refinado nos Estados Unidos, onde a Westwing pretende transformá-lo em níquel classe 1, insumo considerado estratégico para a indústria norte-americana.

O níquel é um dos principais minerais críticos da transição energética. Ele é utilizado na fabricação de baterias de íons de lítio, especialmente em tecnologias de maior densidade energética, empregadas em veículos elétricos, sistemas de armazenamento de energia, além de aplicações na indústria aeroespacial, defesa e aço inoxidável.

Também incluído no acordo, o cobalto é usado para aumentar a estabilidade e a segurança das baterias, reduzindo riscos de superaquecimento.

O acordo ocorre em um momento de esforço dos Estados Unidos para reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros, especialmente da China, que hoje domina etapas críticas do processamento e do refino de minerais estratégicos.

O governo norte-americano vem adotando uma política de reinternalização da cadeia produtiva, o chamado reshoring, com foco em garantir suprimento para setores considerados sensíveis, como defesa, mobilidade elétrica e manufatura avançada.

A Westwin Elements afirma ser atualmente a única grande refinaria de níquel dos Estados Unidos, e aposta no acordo como forma de ampliar a oferta doméstica de materiais classe 1.

Segundo a Brazilian Nickel, o material será extraído por meio de um processo de lixiviação em pilhas de laterita, tecnologia que permite custos operacionais menores e redução das emissões de carbono em comparação a métodos tradicionais.

A empresa afirma que o acordo também contribui para a estrutura de financiamento do projeto no Piauí, considerado o principal ativo da companhia.

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