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Aéreas consideram desenho do FNAC inacessível e defendem ajustes

Associação Brasileira das Empresas Aéreas quer apresentar sugestões ao governo com mudanças nas normas de concessão de empréstimos com recursos do fundo

Vitória Queiroz, da CNN Brasil, Brasília
Aviões da Gol e Azul  • Marcelo Camargo/Agência Brasil
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A Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) — que representa a Latam, a Azul e a Gol — considera que as normas para concessão de empréstimos a companhias aéreas com recursos do FNAC (Fundo Nacional de Aviação Civil) tornam o acesso ao crédito inacessível para o setor. 

De acordo com o presidente da entidade, Juliano Noman, a modelagem do FNAC apresenta obstáculos de custos e de contrapartidas para as companhias aéreas. Apesar do desenho não ser considerado ideal, a Abear avalia a iniciativa do governo como positiva. 

“Este primeiro produto ainda não está acessível, mas é uma boa iniciativa”, disse Noman a jornalistas nesta terça-feira (16). 

Na avaliação da Abear, há espaço para ajustes no FNAC. A entidade, em conjunto com as empresas do setor, estão elaborando um documento com sugestões, que deve ser apresentado ao governo.

“Talvez o produto como foi desenhado continue sendo não acessível. É mais fácil trabalhar para melhorar ele [FNAC] do que para criar [do zero]. Vamos trabalhar para melhorar. Ele precisa ser acessível”, afirmou Noman. 

Em novembro, o CEO da Latam Brasil, Jerome Cadier, disse que o modelo proposto pelo governo para a linha de crédito com garantia do FNAC inviabiliza o acesso aos recursos por parte das três companhias aéreas que operam voos domésticos no Brasil. 

“O alerta que o presidente da Latam deu é muito válido. O produto é ótimo, mas se a gente não pegar [o empréstimo], não adianta muito”, destacou Noman nesta terça-feira (16).

O CMN (Conselho Monetário Nacional) aprovou as normas que permitem a concessão de empréstimos a companhias aéreas com recursos do FNAC em outubro. A taxa de juros dos financiamentos ficará entre 6,5% e 7,5% ao ano, conforme a modalidade de crédito escolhida.

Entre as contrapartidas exigidas pelo Comitê Gestor do FNAC, estão o compromisso de compra de SAF (combustível sustentável de aviação) que garanta redução adicional de emissões de CO₂, superior à meta prevista em lei, atualmente de 1 ponto percentual ao ano até atingir 10%.

Além disso, as empresas serão obrigadas a aumentar em 30% a proporção anual de voos nas regiões da Amazônia Legal e do Nordeste, em relação aos números registrados em 2024.

Outro critério previsto é que as empresas que recorrem aos recursos do fundo não poderão ampliar o pagamento de lucros e dividendos a acionistas durante o período de carência dos empréstimos.

Por meio da iniciativa, serão disponibilizados R$ 4 bilhões em crédito, divididos em seis linhas de financiamento que abrangem desde a compra de aeronaves fabricadas no país até a aquisição de SAF produzido nacionalmente.

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