BYD reporta queda de 55% no lucro líquido do 1º tri de 2026
Receita caiu 11,8%, estendendo a sequência de declínio para o terceiro trimestre consecutivo

O lucro trimestral da fabricante chinesa de veículos elétricos BYD caiu no ritmo mais acelerado desde 2020, segundo relatório divulgado nesta terça-feira (28). O impacto deve-se às vendas fracas no mercado interno e pela intensificação da concorrência.
A maior vendedora de veículos elétricos do mundo, conhecida pelos modelos econômicos com preços abaixo de 150.000 yuans (cerca de US$ 21.931,43), está sofrendo pressão de rivais como a Geely e a Leapmotor.
O lucro líquido da BYD no primeiro trimestre caiu 55,4% em relação ao ano anterior, para 4,1 bilhões de yuans (aproximadamente US$ 599,46 milhões), aprofundando a queda de 38,2% registrada no quarto trimestre, mostraram os dados.
A receita caiu 11,8%, para 150,2 bilhões de yuans, estendendo a sequência de declínio para o terceiro trimestre consecutivo.
"A BYD precisa que o volume de vendas no mercado interno aumente sequencialmente no segundo trimestre e que haja uma recuperação mais sustentada e uma retomada da participação de mercado no terceiro trimestre para que os lucros gerais melhorem", analisou Eugene Hsiao, chefe de estratégia de ações chinesas da Macquarie Capital.
A pressão aumentou à medida que a China reduz os subsídios para a troca de carros elétricos de entrada e híbridos plug-in. As vendas totais da BYD caíram pelo sétimo mês consecutivo em março, apesar do forte crescimento contínuo das remessas para o exterior.
Crescimento no exterior
Com as vendas no mercado interno enfrentando uma queda prolongada, a BYD está mirando os mercados internacionais, com foco em tecnologia avançada ou localização de produção.
A maior concorrente chinesa da Tesla afirmou estar confiante em atingir a meta de vendas no exterior para 2026 de 1,5 milhão de veículos ou até mais, o que implica um crescimento de mais de 40% em relação a 2025, embora não tenha divulgado uma meta de vendas geral.
Vincent Sun, analista da Morningstar, projetou que as exportações da BYD aumentariam de 25% a 30% este ano, enquanto as vendas totais de veículos devem crescer cerca de 12%.
No entanto, Hsiao afirmou que as vendas no exterior podem não ser suficientes para compensar totalmente a fraqueza do mercado interno, caso as tendências atuais de vendas persistam.
Buscando recuperar a vantagem tecnológica, a BYD está investindo em tecnologia de carregamento ultrarrápido, visando atrair motoristas fiéis a carros a gasolina, reduzindo as preocupações com o tempo de recarga.
A BYD iniciou a pré-venda do SUV elétrico de grande porte Datang no Salão do Automóvel de Pequim na sexta-feira (24), juntando-se a uma lista crescente de montadoras chinesas que miram o segmento de luxo e intensificando a competição com as marcas premium europeias.


