China manda Meta reverter aquisição de startup de IA avaliada em US$ 2 bi

Empresa americana havia comprado Manus em dezembro de 2025

da Reuters
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A China ordenou nesta segunda-feira (27) que a Meta reverta a aquisição da startup de inteligência artificial Manus, avaliada ​em mais de US$2 bilhões, em um momento em ​que o país intensifica o escrutínio sobre os investimentos norte-americanos em startups nacionais de tecnologias de ponta.

A medida da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma destaca o compromisso da China em impedir que empresas dos Estados Unidos adquiram talentos e propriedade intelectual em IA, enquanto Washington tenta cortar o acesso de empresas de tecnologia chinesas a chips norte-americanos avançados.

O gabinete da comissão responsável pela análise da segurança dos ⁠investimentos estrangeiros afirmou que "proibirá o investimento estrangeiro ​na Manus, em conformidade com as leis e regulamentos, e exigirá que as partes ​envolvidas revertam a transação de aquisição".

O comunicado não mencionou a Meta nem outros investidores estrangeiros na ⁠Manus.

A medida ocorre antes da cúpula planejada para meados ⁠de maio entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e seu homólogo chinês, ​Xi ‌Jinping, em Pequim. O Ministério do Comércio da China havia anunciado uma investigação sobre a operação em ⁠janeiro, dias depois de a Meta ter concluído a aquisição da startup em dezembro.

Investidores da Manus deixaram a empresa após a aquisição pela Meta, disseram três fontes familiarizadas com o assunto. A China raramente exige o ‌cancelamento ⁠de negócios corporativos após ‌sua conclusão, o que demonstra o aumento da fiscalização regulatória em meio à competição tecnológica entre EUA e China.

Os dois cofundadores da Manus, o presidente-executivo Xiao Hong e o cientista-chefe Ji Yichao, foram convocados a ⁠Pequim para conversas com autoridades reguladoras em março e, ⁠posteriormente, proibidos de deixar o país, disseram cinco fontes familiarizadas com o assunto.

Xiao e Ji não responderam aos pedidos de comentários ‌da Reuters.

Após receber um aporte de US$75 milhões liderado pela empresa de capital de risco norte-americana Benchmark em maio de 2025, a Manus fechou seus escritórios na China em julho, demitindo dezenas de funcionários.

Em seguida, transferiu suas operações para Cingapura sem buscar a aprovação dos reguladores chineses, disseram pessoas ‌familiarizadas com o assunto.

Isso permitiu que a empresa controladora da Manus, a Butterfly Effect, se reincorporasse em Cingapura e contornasse as restrições de investimento dos EUA para empresas chinesas de IA, bem como ⁠as restrições regulatórias chinesas à transferência de propriedade intelectual e capital de empresas nacionais de IA para o exterior.

A equipe da Manus já se mudou para os escritórios da Meta em Cingapura, e os projetos ​estão prosseguindo apesar das proibições de saída impostas aos dois executivos, disseram duas fontes familiarizadas com o ​assunto.

O pedido da China para desfazer o acordo da Manus é o caso mais recente e notório de bloqueio de uma transação transfronteiriça por parte do país.

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