Em operação com Claro no radar, Desktop dispara quase 18% e retoma fôlego
Anatel afirmou que uma possível venda da Desktop para a Claro deve "levantar preocupações não desprezíveis quanto a possível agravamento de situações relacionadas a custos de mudança e efeito de aprisionamento"

SÃO PAULO (Reuters) - As ações da Desktop dispararam quase 18% nesta quinta-feira (23), no segundo pregão seguido de alta robusta, após um tombo na terça-feira (21), após a Anatel apontar, em relatório publicado na segunda-feira (20), preocupações concorrenciais em uma possível aquisição da empresa pela Claro.
Os papéis da provedora de banda larga vinham mostrando forte valorização desde o último dia 7 em meio a expectativas envolvendo um negócio com a operadora de telecomunicações do grupo mexicano América Móvil, principalmente após a companhia confirmar conversas preliminares com a Claro.
Até o dia 20, tinham acumulado alta de mais de 54%, fechando no azul em nove de dez pregões. Um relatório da Agência Nacional de Telecomunicações publicado na última segunda, porém, abriu espaço para uma forte correção no dia seguinte, quando as ações fecharam em baixa de 26,42%.
A Anatel afirmou que uma possível venda da Desktop para a Claro deve "levantar preocupações não desprezíveis quanto a possível agravamento de situações relacionadas a custos de mudança (switching costs) e efeito de aprisionamento (lock-in)".
De acordo com a análise, que versa apenas sobre o cenário competitivo, um eventual negócio pode "dificultar a entrada efetiva de novos agentes (empresas), a capacidade de rivalizar das concorrentes presentes no mercado e facilitar a prática de condutas lesivas à concorrência, entre outras".
Nesta quinta, o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, afirmou que as negociações continuam de pé e que as partes fizeram mais uma rodada de conversas na quarta-feira (22). Ainda conforme o texto, uma oferta vinculante deve ser assinada até semana que vem a R$21 por ação.
Em relatório no dia 21, analistas do BTG Pactual avaliaram que um acordo entre as duas companhias tem sentido estratégico para a América Móvil, que, por meio da Claro, é a principal operadora de banda larga do país.
Eles destacaram que o grupo tem acelerado a migração de sua base de clientes para tecnologia de fibra até a residência, a fim de proteger seu mercado do avanço dos provedores que operam exclusivamente com fibra.
"A aquisição da Desktop aceleraria essa migração, já que a empresa traz 1,2 milhão de clientes de fibra e uma infraestrutura óptica que a Claro poderia utilizar imediatamente para migrar seus clientes da tecnologia legada", afirmaram Carlos Sequeira e equipe no relatório.
"Além disso, como a Desktop opera exclusivamente no Estado de São Paulo, a aquisição ajudaria a consolidar a posição da Claro no estado mais populoso do Brasil", acrescentaram.
Na bolsa paulista, por volta de 11h30, as ações da Desktop eram negociadas com alta de 11,81%, a R$15,15, tendo chegado a R$15,95 na máxima até o momento (+17,7%). No mesmo horário, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, que não tem os papéis da empresa em sua composição, subia 0,51%.
(Por Paula Arend Laier)


