Grupo Fictor: Conheça negócio de Rafael Góis, envolvido em operação da PF

Empresa fundada em 2007 para atuar em soluções tecnologias está enfrentando recuperação judicial após tentar comprar Banco Master

Manuela Miniguini, colaboração para a CNN Brasil*, São Paulo
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Uma operação da Polícia Federal (PF) na manhã desta quarta-feira (25) tem como alvo o CEO do Grupo Fictor, Rafael Góis. A ação investiga uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias na Caixa Econômica Federal. Os prejuízos podem ultrapassar R$ 500 milhões.

A holding administrada por Góis é conhecida no mercado financeiro não apenas pelos serviços que oferece, mas também por sua ligação com o Banco Master, após uma tentativa de aquisição da instituição em novembro do ano passado.

Atualmente, a empresa enfrenta um processo de recuperação judicial, com compromissos que somam cerca de R$ 4 bilhões.

Fundada em 2007, a Fictor surgiu com a proposta de atuar como uma empresa de soluções tecnológicas. Cinco anos depois, realizou sua primeira operação em private equity, o que impulsionou seu crescimento. Em 2016, iniciou a expansão de seu portfólio e, em 2018, passou a atuar nos setores de commodities e agronegócio.

A partir de 2022, a Fictor passou a operar como holding, reunindo dez empresas sob sua gestão. Em 2024, ingressou no setor de energia com a criação da Fictor Energia e passou a ter ações negociadas na B3, sob o ticker FICT3, por meio de um IPO reverso. No mesmo ano, lançou a FictorPay, voltada a soluções financeiras e crédito.

Em 2025, a companhia deu mais um passo em sua expansão internacional, com a abertura de escritórios em Miami (Estados Unidos) e Lisboa (Portugal).

Atualmente, a Fictor atua nos seguintes segmentos:

Indústria alimentícia

  •  Fictor Alimentos S.A.
  •  Fictor Alimentos Ltda.
  •  Dr. Foods

Serviços financeiros

  • Fictor Asset
  • FictorPay

Infraestrutura

  • Fictor Real State
  • Fictor Energia

Segundo a empresa, seu propósito é se posicionar como referência em gestão, com base em “inteligência de mercado, análise rigorosa e visão de longo prazo para gerar valor e fortalecer a Fictor como líder no setor de investimentos”.

A holding também ganhou visibilidade ao atuar como patrocinadora do Palmeiras, desde as categorias de base até o time profissional. Em março de 2025, foi anunciado um acordo de R$ 30 milhões por temporada, com duração de três anos, prorrogável por mais um.

À época, a presidente do clube, Leila Pereira, afirmou que a parceria fortaleceria as categorias de base e que ambas as partes colheriam “grandes frutos com esta união”.

Após essa iniciativa, a Fictor expandiu sua atuação no esporte e passou a patrocinar também o atletismo. O acordo, de R$ 21 milhões até 2029, tornou-se o maior patrocínio privado da história da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt).

Com mais uma polêmica envolvendo o grupo nesta quarta-feira, a defesa declarou:

"Foi realizada hoje diligência de busca e apreensão na residência de Rafael Góis, CEO da Fictor, no âmbito de investigação conduzida pela Polícia Federal. Apenas o seu celular foi apreendido.

Tão logo sua defesa tenha acesso ao conteúdo da investigação, serão prestados os esclarecimentos necessários às autoridades competentes, com o objetivo de elucidar os fatos"

Recuperação judicial e caso Master

Em 1º de fevereiro de 2026, a Fictor entrou em seu capítulo mais recente, ainda sem desfecho. Segundo a empresa, o pedido de recuperação judicial foi motivado por uma crise de liquidez decorrente da tentativa de aquisição do Banco Master, em novembro de 2025.

No processo, a companhia informou ter recebido R$ 3 bilhões em aportes de sócios até 17 de novembro, um dia antes da liquidação do Banco Master. A partir dessa data, houve uma onda de pedidos de resgate que, até 31 de janeiro, alcançou cerca de 71,38% do montante inicialmente investido.

Além da retirada de recursos, o grupo relatou impacto direto no valor de mercado de suas empresas. As ações da Fictor Alimentos S.A., subsidiária listada na B3, registraram queda de aproximadamente 50% entre 17 de novembro e 1º de fevereiro.

No acumulado entre fevereiro e março, os papéis recuaram cerca de 30%. Apenas em março, a queda foi de 42%.

Não só as ações, mas também suas parcerias foram afetadas com o anúncio. Um dia após a divulgação da situação financeira da companhia, o Palmeiras anunciou a rescisão do contrato.

O clube justificou a rescisão por "inadimplemento contratual e do pedido de recuperação judicial realizado pelo grupo", além de anunciar que "o clube estuda as providências legais cabíveis para o recebimento dos valores devidos pela Fictor".

Nesta quinta-feira, dia em que o CEO da Fictor está sendo alvo de operação da Polícia Federal, as ações da empresa caem 4,35%, cotadas a R$ 0,44.

 

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