ISA Energia tem queda no lucro do 4º tri e avalia leilões do ano com rigor

Empresa fechou 2025 com uma queda de 21,7% do lucro líquido acumulado frente a 2024, para R$ 1,62 bilhão

Letícia Fucuchima, da Reuters, em São Paulo
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A transmissora ISA Energia registrou um lucro líquido de R$482,7 milhões no quarto ​trimestre, 40,4% abaixo do apurado um ano antes, de ​acordo com balanço financeiro divulgado na terça-feira (24).

Já o resultado operacional medido pelo Ebitda somou R$ 854 milhões no período, alta de 7,5% no comparativo anual.

Com isso, a empresa fechou 2025 com uma queda de 21,7% do lucro líquido acumulado frente a 2024, para R$ 1,62 bilhão, enquanto o Ebitda reduziu 2,4%, para R$ 3,45 bilhões.

Segundo os executivos da ISA Energia, os números anuais foram afetados pelo maior ⁠custo da dívida, que aumentou para ​suportar os investimentos bilionários em ampliação e aperfeiçoamento do portfólio de linhas e ​subestações, além da redução do fluxo financeiro da indenização referente à RBSE (Rede Básica Sistema Existente).

O ⁠resultado trimestral, por sua vez, foi impactado ainda ⁠por outros fatores, como a declaração de juros sobre capital próprio em frequência ​e ‌trimestres diferentes em 2024 e 2025.

"Este ano (2025) foi uma ilustração muito boa da estratégia que a ⁠gente desenhou e está implementando com muita disciplina e bons resultados... Sabendo que a RBSE (indenização) é finita, gente vem acelerando a busca de criação de valor para a companhia", disse o CEO, Rui Chammas, em ‌entrevista ⁠à Reuters.

Ele destacou ‌que os investimentos da transmissora alcançaram um recorde de R$ 5,1 bilhões em 2025, com crescimento de mais de 40% ante 2024, diante do andamento de projetos conquistados em leilões nos últimos anos e ⁠também dos reforços e melhorias feitos nos ativos existentes.

Mas ⁠os aportes do ciclo atual já alcançaram o pico e devem ser menores neste ano, apontou.

Para 2026, ele afirmou ‌que a ISA manterá o foco na entrega dos projetos em carteira, ao mesmo tempo em que avaliará oportunidades nos leilões de transmissão e de capacidade em baterias, podendo entrar nas disputas caso os projetos tenham retornos atrativos e não penalizem a alavancagem da companhia.

O índice de ‌alavancagem da transmissora deverá ficar próximo de 4 vezes a dívida líquida sobre Ebitda em 2026 e 2027, sendo esperada uma redução mais significativa a partir de 2028, quando vários projetos ⁠começarão a gerar receita, apontou a diretora financeira, Silvia Wada.

A ISA Energia ainda não tomou uma decisão sobre participar do próximo certame de transmissão, que oferecerá nove projetos e foi dividido em duas ​sessões públicas, sendo a primeira em 27 de março.

"Uma questão fundamental vai ser o fluxo de ​caixa que cada projeto potencial demandaria no tempo. Em 2025 tivemos um pico de Capex e, por consequência, de fluxo de caixa, de projetos que a gente ganhou em 2022 e 2023. Então, tem um 'lag de tempo', e a gente está ‌analisando isso."

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