JBS prevê melhora no rebanho nos EUA a partir do final de 2027

Empresa citou desafios operacionais atuais como parasita mexicano e embate com a China

Reuters
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Os frigoríficos de carne bovina dos Estados Unidos continuarão a lidar com a baixa disponibilidade de gado por cerca de três ou quatro trimestres, com melhorias graduais no rebanho norte-americano ocorrendo gradualmente a partir do final de 2027, disseram executivos da JBS nesta quinta-feira (14).

Em comentários feitos após a divulgação dos resultados do segundo trimestre, a maior empresa de carnes do mundo afirmou que outros fatores que afetam sua operação de carne bovina nos EUA, que representa cerca de um terço de suas vendas líquidas, incluem o fechamento da fronteira com o México em maio, devido à ocorrência da bicheira-do-Novo Mundo, um parasita.

"A situação mexicana é obviamente relevante", disse Wesley Batista Jr., que lidera as operações da JBS nos EUA.

Os governos mexicano e americano estão em negociações para a possível reabertura da fronteira, disse ele, estimando que cerca de 1,1 milhão de cabeças de gado bovino não podem passar neste momento.

Outros desafios operacionais da empresa nos EUA incluem o negócio de carne suína, que foi fortemente afetado desde que o presidente Donald Trump iniciou uma guerra comercial com Pequim.

As restrições às exportações de frango brasileiro da China e da União Europeia, aplicadas desde maio após um surto de gripe aviária no maior exportador de aves do mundo, também estão pesando sobre a JBS, que recentemente passou a ter ações listadas nos EUA.

O CEO Gilberto Tomazoni estimou que, se as barreiras comerciais sanitárias não forem removidas, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da sua divisão de alimentos preparados Seara no Brasil poderá ser impactado em cerca de 1,5%.

As margens da Seara, no entanto, permaneceram na casa dos dois dígitos, apesar das interrupções relacionadas à gripe aviária no segundo trimestre.

Impulsionada também pelos fortes resultados da processadora de aves Pilgrims Pride, a empresa registrou vendas líquidas recordes de US$ 21 bilhões, enquanto o lucro líquido aumentou quase 61%, para US$ 528,1 milhões no segundo trimestre.

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