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    Mercado de capitais é uma alternativa para aquecer o setor imobiliário, diz economista-chefe do Inter

    Rafaela Vitoria diz que atualmente existem emissões de títulos que alocam o capital de maneira mais eficiente

    Banco digital realiza 1º Inter Real Estate Day em São Paulo
    Banco digital realiza 1º Inter Real Estate Day em São Paulo Foto: Nilani Goettems

    Diego Mendesda CNN

    São Paulo

    A economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, disse nessa quarta-feira (17) à CNN, no 1º Inter Real Estate Day, realizado em São Paulo, que os recursos do mercado de capitais diversificou a forma do brasileiro investir no setor imobiliário, aquecendo o segmento.

    “A gente tem acompanhado no Brasil uma diversificação maior através do mercado de capitais. Ele abriu espaço para outros tipos de recursos de investidores financiar o segmento imobiliário, seja via fundo Imobiliários, ou via certificado de recebíveis”, disse.

    De acordo com Vitória, na medida que o mercado de capitais cresce, a importância do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS) para financiamento imobiliário, fica menor.

    “A solução para um longo prazo é ter um mercado de capitais mais robusto que consiga fazer esse financiamento do setor imobiliário no Brasil”, indica.

    Entretanto, na visão de Vitória, a chave para alavancar ainda mais o mercado imobiliário é o Brasil ter juros menores para todo mundo, e não só para alguns grupo de investidores com subsídios específicos.

    “Essa não é uma maneira saudável e sustentável para ter financiamento imobiliário no Brasil. Na medida que a gente tem uma solução mais ampla para o risco fiscal, por exemplo, a gente pode ter juros menores na economia brasileira e isso, sim, vai ser um importante facilitador o crescimento do crédito imobiliário no país”, ressalta a economista.

    FGTS nas mãos do STF

    Ainda neste cenário, também foi discutido no evento do Inter a possível mudança no rendimento do FGTS.

    No início deste mês, o governo federal propôs ao Supremo Tribunal Federal (STF) que fixe o IPCA, índice oficial de inflação, como referência para a rendimento dos depósitos do FGTS — passando a valer apenas após a decisão da Corte.

    Atualmente, o FGTS tem um rendimento atrelado à TR mais 3% ao ano. A TR, que está em 0,32% ao mês, pode mudar, uma vez que é formado por uma série de variáveis. Já a poupança atualmente tem remuneração de 0,6% ao mês.

    O presidente do STF e relator desta ação, Luís Roberto Barroso, defende que a remuneração do fundo não pode ser inferior à da caderneta de poupança.

    Porém, de acordo com o presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz Antônio França, isso vai prejudicar, principalmente os mais pobres.

    Ele explica que, em todos os países do mundo, para atender os seus mercados de baixa renda, há a necessidade de subsídios. A situação do governo brasileiro, segundo ele, há algum tempo é de não conseguir prover esse subsídio como outros governos provêm.

    França destaca que o que se encontrou no Brasil foi uma forma muito inteligente de usar o recurso do FGTS para atender esse trabalhador. A maioria dos cotistas do FGTS são trabalhadores de baixa renda, portanto são essas pessoas que se beneficiam da taxa adequada para que ele possa comprar imóvel e de subsídio.

    “Portanto, o modelo que se tem no Brasil, para a situação brasileira, é um modelo perfeito. Ele não deve e não pode mudar porque, se mudar, vai inviabilizar que as pessoas de baixa renda possam ter uma moradia digna”, pontua.

    Referente ao aumento do rendimento do fundo, França diz que o resultador são será uma melhor remuneração ao trabalhador, mas sim um encarecimento do dinheiro.

    “Quando aumenta a remuneração de um fundo, o custo daquele dinheiro aumenta. Quando há um empréstimo para o financiamento, terá que aumentar na ponta do tomador daquele que está financiando imóvel. Portanto, o que é melhor para aquela grande massa, que é a maioria dos cotistas do fundo: é ter uma capacidade de comprar um imóvel ou ter um rendimento um pouquinho melhor?”, questiona.

    O presidente da Abrainc lembra que, por muitos anos, o rendimento do FGTS esteve acima da caderneta de poupança.

    “Se o rendimento do FGTS mudar, o trabalhador vai sofrer um risco de não remunerar acima da poupança, além de perder a capacidade de adquirir o seu imóvel”, conclui França.