Mercado Livre supera estimativas de lucro no 2º tri, apesar de queda de 11%

Baixa no lucro ocorreu por causa da expansão de frete grátis no Brasil desde meados do ano passado ​e a provisões ligadas à expansão da emissão de cartões de crédito

Por Andre Romani, da Reuters
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O Mercado Livre registrou nesta quarta-feira (5) queda de cerca de 11% no lucro líquido ​do segundo trimestre contra um ano antes, impactado por ​investimentos em frete grátis, mas superou estimativas de analists com uma receita recorde e crescimento no número de clientes simultâneos de seus principais negócios.

O Mercado Livre, que opera uma plataforma de comércio eletrônico e a fintech Mercado Pago em toda a América Latina, reportou um lucro líquido de US$ 466 milhões no trimestre encerrado em junho, frente aos US$ 433 milhões esperados por analistas em uma pesquisa da LSEG.

A queda ⁠no lucro – a terceira consecutiva – aconteceu devido ​ao aumento da expansão de frete grátis no Brasil desde meados do ano passado ​e a provisões ligadas à expansão da emissão de cartões de crédito, disse Leandro Cuccioli, vice-presidente ⁠sênior de relações com investidores do Mercado Livre, ⁠em entrevista à Reuters.

A receita líquida atingiu US$ 10,2 bilhões, crescimento de 50% – o ​maior ‌em quatro anos – superando a estimativa de US$ 9,7 bilhões, segundo pesquisa da LSEG. As vendas totais, ⁠medidas pelo volume bruto de mercadorias (GMV), subiram 36% em base neutra de câmbio.

Enquanto isso, o resultado operacional, ou lucro antes de juros e impostos (EBIT), foi de US$ 683 milhões, queda de cerca de 17%, mas acima dos US$658 ‌milhões ⁠projetados na pesquisa ‌com analistas. A margem EBIT recuou para 6,7%, ante 12,2% um ano antes e 6,9% no primeiro trimestre.

Nos últimos trimestres, o Mercado Livre tem apresentado uma tendência de aumentos sequenciais de receita, mas queda de ⁠lucratividade, uma vez que sua estratégia de investimento de ⁠longo prazo -- incluindo a expansão do frete grátis, cartões de crédito e vendas internacionais -- pesou sobre as margens no curto prazo.

Cuccioli ‌afirmou que essas medidas estão dando resultados, visto que o número de usuários ativos tanto na plataforma de comércio eletrônico quanto no negócio de fintech cresceu 37% no trimestre, em comparação com uma alta de entre 20% e 30% um ano atrás.

"Esse é o segmento mais valioso para nós", ‌disse Cuccioli, observando que esses usuários realizam mais transações e geram maior lucratividade que os clientes que utilizam apenas uma das frentes de negócio.

A estratégia de investimento, segundo o executivo, está gerando alavancagem ⁠operacional, mas o Mercado Livre tem reinvestido deliberadamente seus ganhos no próprio negócio. Esse cenário, segundo ele, não mudará no curto prazo.

A carteira de crédito da empresa atingiu cerca de US$ 16 bilhões, um aumento de ​75% em dólares, impulsionado pelos cartões de crédito. A taxa de inadimplência de 15 a 90 dias ​ficou em 7%, alta de 0,3 ponto percentual em relação ao ano anterior, mas queda de 1 ponto em comparação com o primeiro trimestre.

O volume total processado no negócio de adquirência cresceu 42% em relação ao ano anterior, em base neutra de câmbio.

(Por André ‌RomaniEdição de Pedro Fonseca)

 

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