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    Meu Corre: conheça o app para entregadores controlarem finanças

    Com apoio da Faperj, do governo do Rio, plataforma permite criar metas e calcular lucro real dos trabalhadores

    Aplicativo está disponível na Play Store a partir desta segunda-feira (15)
    Aplicativo está disponível na Play Store a partir desta segunda-feira (15) EVANDRO LEAL/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO

    Amanda Sampaioda CNN

    São Paulo

    “O direito de saber o quanto se ganha” — é com essa frase que o geógrafo Igor Dalla Vecchia resume a ideia por trás do aplicativo “Meu Corre”, lançado nesta segunda-feira (15) com a proposta de ser uma ferramenta de organização financeira para entregadores de aplicativo.

    O app é customizável e permite que o trabalhador acrescente, a princípio de forma manual, os ganhos realizados em todas as plataformas ou estabelecimentos para os quais presta serviço. Também é possível adicionar as entregas feitas por meio de contratação direta.

    Além das receitas, podem ser incluídos os gastos que o entregador tiver durante a jornada de trabalho — gasolina, almoço ou troca de óleo, por exemplo.

    Com esses dados, a plataforma consegue calcular o lucro real e a performance do trabalhador, com indicadores como saldo, ganho por quilômetro e por hora de serviço.

    “Os entregadores muitas vezes trabalham para mais de uma empresa, com pagamentos semanais. Mas eles têm contas mensais para pagar, o que dificulta a organização financeira. E a principal justificativa é que as plataformas informam quanto eles ganham, mas não quanto eles gastam para trabalhar. Então pensamos em uma ferramenta que tivesse essa funcionalidade”, afirma Vecchia.

    Outra funcionalidade disponível é a definição de metas diárias, semanais ou mensais. Além disso, os dados podem ser compilados e exportados em formato de planilha.

    “Os motoristas de aplicativo, por exemplo, trabalham com metas diárias porque o tempo e o valor mudam conforme a dinâmica do serviço. A meta é uma forma de você tentar estabilizar uma referência do seu trabalho”, acrescenta.

    Inicialmente, o “Meu Corre” está disponível apenas para smartphones com sistema Android, mas a expectativa é de que a versão para iOS seja lançada em breve.

    Projeto acadêmico em prol dos trabalhadores

    O “Meu Corre” foi desenvolvido por Vecchia e pelo designer Cristiano Dalbem como parte de uma pesquisa de doutorado do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUR/UFRJ).

    O geógrafo conta que o projeto começou com um mapa colaborativo, construído em 2020 a partir do diálogo com entregadores em grupos de WhatsApp.

    À época, os pesquisadores identificaram algumas necessidades dos trabalhadores, como a de encontrar pontos estratégicos — banheiros, água, estações da Bike Rio e estacionamento — na região metropolitana do Rio de Janeiro.

    “Esse mapa teve um boom e, em diálogo com o Cristiano, começamos a pensar uma estratégia com os entregadores para construir uma ferramenta de gestão de informação da atividade de entrega. Eles usam o WhatsApp, mas não é algo estruturado”, diz.

    Para viabilizar a pesquisa, Vecchia e Dalbem conseguiram um recurso de R$ 55 mil por meio do Programa Startup Rio, da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Farperj).

    Apesar do edital ter esse nome, o geógrafo esclarece que a pesquisa não se enquadra nessa categoria. “Nosso projeto tem caráter de pesquisa e apoio aos trabalhadores”, destaca.

    Durante o processo de elaboração da proposta, Vecchia e Cristiano perceberam que seria inviável construir uma ferramenta que organizasse as informações de todos os trabalhadores, mas perceberam que a temática das finanças pessoais também era uma necessidade importante da categoria.

    “A gente identificou que a maior parte do volume de informações nos grupos de WhatsApp e os vídeos com maior número de acesso no YouTube eram referentes à temática de organização financeira e o quanto era possível ganhar com as plataformas”, explica.

    Vecchia afirma que foi a partir dessa percepção que surgiu a ideia do “Meu Corre”, como forma de facilitar a vida dos entregadores que já faziam o controle financeiro e de incentivar os que ainda não começaram.

    “Existem conjuntos de entregadores que já fazem essa organização, e a gente acredita que eles vão ser os primeiros a utilizarem o aplicativo. Hoje ele usam outros tipos de ferramentas, como planilhas, por exemplo. Tinha um que fazia até anotação no Pix”.

    Para dar continuidade ao projeto, os pesquisadores também conseguiram um recurso do Labora – Fundo de Apoio ao Trabalho Digno, do Fundo Brasil, de outros R$ 50 mil. Vecchia diz que a maior parte do investimento foi utilizado para custear a programação e a comunicação do aplicativo.

    Perguntado sobre o retorno financeiro esperado com o app, ele é categórico: a intenção é que o projeto se sustente como um projeto de pesquisa e não que se torne um negócio.

    “A ideia é usar os dados colhidos no ‘Meu Corre’ para estudos e formulação de políticas públicas. É um projeto com características acadêmicas, preocupado com a transparência. Além disso, também temos interesse de ser colaborativos com os trabalhadores e outros pesquisadores”.

    A princípio, o “Meu Corre” tem como foco os entregadores, mas o projeto pode expandir e atender outras categorias, como os motoristas de aplicativos.