MRV volta a gerar caixa, eleva margem e corta dívida com venda de ativos

Empresa entregou a maior margem bruta em sete anos, além de geração de caixa de R$ 126 milhões nos últimos 12 meses

Gabriel Monteiro, da CNN Brasil
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A MRV&Co fechou o segundo trimestre com sinais de virada na operação: a incorporação imobiliária no Brasil voltou a gerar caixa, entregou a maior margem bruta em sete anos e ajudou a sustentar um plano de redução de dívida apoiado na venda de ativos da Luggo e da Resia.

Excluídos os efeitos das cessões de recebíveis, a MRV Incorporação acumulou geração de caixa de R$ 126 milhões nos últimos 12 meses. No mesmo indicador, o primeiro trimestre do ano passado apontava queima de R$ 741 milhões — uma melhora de R$ 866 milhões no período.

A margem bruta chegou a 31,2% no trimestre, um ponto percentual acima do registrado um ano antes e o maior patamar desde 2018. As novas vendas já saem com margens próximas de 35%, nível para o qual a companhia espera levar gradualmente a margem reconhecida ao longo de 2026 e 2027.

O segundo pilar da estratégia é a reciclagem de ativos. A Resia, braço da MRV nos Estados Unidos, anunciou US$ 401 milhões em vendas neste ano, cerca de R$ 2 bilhões.

Entre as transações estão os empreendimentos Ten Oaks e Rayzor Ranch, vendidos por US$ 139 milhões e liquidados em julho, além do Memorial — último projeto legado da subsidiária — e cinco terrenos, negociados por US$ 170 milhões. Concluído o processo, a MRV afirma que não terá mais operações nos Estados Unidos.

No Brasil, a Luggo assinou um memorando para vender três empreendimentos residenciais por R$ 166 milhões. Depois da operação, a subsidiária ficará sem outros projetos prontos ou em construção.

O efeito recai sobre o endividamento. A dívida líquida encerrou junho em R$ 5,9 bilhões, R$ 400 milhões abaixo dos R$ 6,3 bilhões do fim do ano passado. Considerando o impacto das vendas já anunciadas sobre a posição de junho, o indicador cairia para R$ 4,6 bilhões — recuo de R$ 1,7 bilhão, ou 28%, ante o fechamento de 2025. Só as operações da Resia devem responder por cerca de R$ 1,5 bilhão dessa redução.

A saída dos Estados Unidos, no entanto, tem custo. A MRV optou por acelerar algumas vendas antes da estabilização dos empreendimentos e negociou terrenos abaixo do valor contábil. A Resia reconheceu US$ 110 milhões em impairments relacionados aos ativos colocados à venda no trimestre.

Isso pesou no consolidado: a MRV&Co teve prejuízo líquido de R$ 626,6 milhões atribuível aos acionistas controladores. Já a incorporação brasileira registrou lucro líquido ajustado de R$ 154,7 milhões, alta de 28,2% em um ano.

Do lado operacional, a MRV Incorporação fechou com R$ 2,75 bilhões em vendas líquidas no trimestre, alta de 11,3% sobre o primeiro trimestre e de 3,4% ante o mesmo período de 2025. Os lançamentos somaram R$ 2,95 bilhões, praticamente estáveis na comparação trimestral (+1,3%), mas 14,4% abaixo do 2T25.

No semestre, as vendas cresceram 8,2%, para R$ 5,2 bilhões, enquanto os lançamentos recuaram 7,4%, para R$ 5,9 bilhões.

Os repasses avançaram 19,1% frente ao primeiro trimestre, para 9,8 mil unidades — ainda abaixo das 10,9 mil produzidas no período.

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