O que pensam especialistas sobre o novo presidente dos Correios
Emmanoel Schmidt Rondon atua há 20 anos no setor financeiro, exercendo o cargo de gerente-executivo do Banco do Brasil de 2017

Na noite de terça-feira (16), o governo anunciou a escolha de Emmanoel Schmidt Rondon, funcionário de carreira do Banco do Brasil, para assumir a presidência dos Correios.
Rondon vem substituir Fabiano Silva dos Santos, que havia pedido demissão no dia 4 de julho.
O pano de fundo por trás das movimentações é uma crise financeira sem precedentes. No 1º semestre de 2025, a estatal viu seu prejuízo triplicado, com o rombo indo a R$ 4,3 bilhões.
Escolha de nome
Do ponto de vista financeiro, Paulo Feldmann, professor de economia da USP e ex-presidente da Eletropaulo, entende que a decisão é acertada.
À CNN, Feldmann exalta o currículo de Rondon, que atua há 20 anos no setor financeiro. "Essa experiência será fundamental para equacionar a dívida. O grande problema da estatal, afinal, é esse mesmo", argumenta.
O professor da USP também saúda o perfil do executivo. "É positivo que a presidência tenha colocado na estatal um servidor público e um técnico. Assim, os Correios não ficarão à mercê de nenhum partido político", diz.
Apesar disso, entende que um servidor público que fez carreira na empresa teria sido preferível, justamente pela magnitude da estatal — que adiciona dificuldades adicionais de gestão.
"Outro fato negativo vem da própria estrutura de gestão brasileira. Tanto pública quanto privada: não é fácil gerir uma empresa por aqui", argumenta.
Um estudo divulgado pela Deloitte em janeiro de 2025 comprova a fala de Feldmann: apenas 1 em 10 grandes empresas brasileiras tiveram gestão de riscos considerada madura.
No mais, também entende que o perfil exclusivamente técnico acaba limitando a visão de futuro do executivo. "Qual a estratégia dos Correios pelos próximos 10 anos? Um financista terá dificuldade de medir isso", finaliza.
István Kasznar, professor da FGV-Ebape e especialista em administração pública e de empresas, entende que Rondon tem um imenso papel a cumprir.
"Esperava-se há bastante tempo que uma pessoa com experiência, com conhecimento de caus,a viesse a assumir esta organização. Ele terá certamente espaço para demonstrar a capacidade que necessita se ter nestas circunstâncias críticas", diz Kasznar.
"Todo o mercado deseja sucesso ao presidente Emmanuel, que terá desafios enormes para equacionar pela frente".
Saiba mais sobre o novo presidente
Emmanoel Schmidt Rondon atua há 20 anos no setor financeiro, exercendo o cargo de gerente-executivo do Banco do Brasil de 2017 até então. Antes, foi assessor sênior do banco e gerente de divisão, na diretoria de governo.
Também atuou como conselheiro da Previ, a Caixa de Previdência dos funcionários do Banco do Brasil, que passou quase a totalidade de 2024 no vermelho e fechou o ano passado com rombo de R$ 17,6 bilhões.
A CNN apurou que o governo quis um "perfil técnico", para afastar narrativas de escolhas puramente políticas em cargos estratégicos das principais estatais do país.
Schmidt Rondon se formou em ciências econômicas pela Universidade Federal Fluminense, em 2005, e concluiu um MBA (Master of Business Administration) pela Ibmec em 2015.
Penúria
O principal desafio de Rondon à frente da estatal será reverter o prejuízo bilionário deixado na companhia.
Os Correiros têm enfrentado queda de receitas, enquanto na outra as despesas não param de subir. Críticos da atual gestão afirmam que a atual administração é lenta em fazer ajustes.
Recentemente foi anunciado um plano para vender imóveis e abrir um programa de demissões voluntárias, bem como o lançamento de um marketplace com a Infracommerce, mas a avaliação no Planalto é de que as medidas chegaram tarde demais.
*Com informações de Fabrício Julião, da CNN, em São Paulo

