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Petlove questiona fusão no Cade e operação entre Petz e Cobasi pode atrasar

No recurso, Petlove afirma que a união entre as duas maiores varejistas do setor pet no Brasil pode resultar em um monopólio, com impactos diretos à concorrência e aos consumidores

Cristiane Noberto
Na prática, o documento pode atrasar a integração entre as empresas, pois o recurso será analisado no Tribunal do Cad  • Divulgação/Petz e Cobasi
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A Petlove recorreu, nesta segunda-feira (23), ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) contra a aprovação da fusão entre as redes de pet shops Petz e Cobasi. A operação foi autorizada sem restrições pela Superintendência-Geral do Cade em 4 de junho.

No recurso, a Petlove afirma que a união entre as duas maiores varejistas do setor pet no Brasil pode resultar em um monopólio, com impactos diretos à concorrência e aos consumidores.

Na prática, o documento pode atrasar a integração entre as empresas, pois o recurso será analisado no Tribunal do Cade, que poderá manter, rever ou impor condições à operação.

A empresa argumenta que a operação "visa eliminar a principal pressão competitiva existente no setor pet", o que, para a Petlove, representaria um risco de formação de monopólio em diversas localidades.

“A Operação resulta em monopólio em centenas de mercados de varejo físico (eliminação completa da concorrência) de produtos pet e em concentração também elevada no mercado de varejo online”, argumenta a empresa.

As empresas operam modelos semelhantes de grandes lojas físicas (superstores) com atuação integrada nos canais digitais — estratégia conhecida como omnicanal.

A Petz tem capital aberto e é líder nacional no segmento, enquanto a Cobasi também figura entre os principais nomes do setor. As duas redes possuem ampla presença no país e são reconhecidas por programas de fidelização, variedade de produtos e serviços agregados, como farmácias veterinárias e clínicas. Juntas, somam mais de 500 unidades pelo Brasil.

“No varejo físico, há monopólio em 155 dos 208 mercados analisados e em outros 42 mercados a concentração supera 70%”, aponta a Petlove.

Já Petlove, que atua majoritariamente no varejo digital, mas com presença física em expansão, foi habilitada como terceira interessada no processo e questiona não apenas a aprovação, mas a metodologia da análise feita pela Superintendência-Geral do Cade.

A empresa cita declarações públicas do CEO da Petz, Sérgio Zimerman, como indícios do objetivo de eliminar a rivalidade: “As marcas estão se unindo porque por vezes ficamos nos degradando para conquistar os mesmos mercados” e “a junção da Petz e da Cobasi preserva o desperdício de energia da competição”.

Para a Petlove, essas afirmações indicam que o objetivo da fusão é acabar com a disputa entre os dois maiores concorrentes do setor.

“O objetivo de eliminar a competição entre as duas empresas ‘no mundo físico’ não poderia estar mais evidente nas diversas entrevistas do empresário”, aponta o recurso.

A empresa também critica a definição de mercado relevante adotada pela Superintendência-Geral, que considerou pet shops de pequeno porte e marketplaces como concorrentes diretos das superstores, o que, segundo o recurso, “dilui artificialmente a concentração de mercado e compromete a análise concorrencial”.

A Petlove sustenta que Petz e Cobasi “são concorrentes diretos e os únicos rivais próximos capazes de exercer pressão competitiva significativa um sobre o outro”.

A preocupação não é isolada. De acordo com o recurso, 31 de 35 pet shops ouvidos em teste de mercado realizado pelo Cade apontaram impactos negativos da operação, como maior poder de barganha da empresa combinada, queda nas vendas e dificuldades para competir.

“A fusão de duas grandes empresas do setor certamente irá diminuir a competitividade e estrangular concorrentes”, afirmou uma das participantes da pesquisa.

A Petlove ainda denuncia falta de transparência no processo e diz que não teve acesso a documentos públicos que embasaram a decisão da Superintendência-Geral, como dados de participação de mercado e estudos metodológicos.

A empresa pede que o Tribunal do Cade reavalie a decisão e, caso não reverta a aprovação, que imponha remédios estruturais e comportamentais para garantir a concorrência.

“A manutenção da decisão de aprovação sem restrições […] poderá trazer graves prejuízos à concorrência no segmento pet e aos consumidores finais dos mercados afetados”, diz o pedido.

Em nota à pedido da CNN, a Cobasi e Petz afirmaram que recebem com tranquilidade o recurso da terceira interessada ao tribunal do CADE.

Informam também que confiam na decisão dos conselheiros, com base nos estudos feitos pela Superintendência-Geral do CADE, que aprovou a operação sem restrições por não haver qualquer risco concorrencial em um mercado pulverizado e competitivo.

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