Presidente do Conselho da Nokia renuncia; ações caem mais de 9%
Impulso na área da IA ajudou a empresa a atingir as expectativas de lucros trimestrais

A finlandesa Nokia anunciou nesta quinta-feira (29) que a presidente do Conselho de Administração, Sari Baldauf, pretende deixar o cargo e que a fabricante de equipamentos de telecomunicações irá propor Timo Ihamuotila como sucessor, após um impulso na área da inteligência artificial (IA) ter ajudado a empresa a atingir as expectativas de lucros trimestrais.
As ações da Nokia fecharam o pregão de Helsinque em queda de mais de 9%.
Baldauf, uma das executivas mais antigas da Nokia, preside o Conselho desde 2020, após retornar à empresa em 2018. O mandato anterior, de 1994 a 2005, coincidiu com a ascensão da Nokia como líder global no mercado de telefonia móvel.
Ihamuotila, que já atua como vice-presidente, foi diretor financeiro da Nokia entre 2009 e 2016. Ele deve deixar o grupo suíço ABB até o final de 2026.
O lucro operacional comparável da Nokia caiu 3%, para 1,05 bilhão de euros (aproximadamente US$1,26 bilhão) no quarto trimestre, em linha com a estimativa média de 1,01 bilhão de euros dos analistas consultados pela LSEG.
A Nokia está realizando uma das maiores reestruturações desde que vendeu o icônico negócio de telefonia móvel há mais de uma década, apostando na demanda por IA e centros de dados para compensar os gastos fracos e as perdas de contratos no campo 5G.
As vendas líquidas do quarto trimestre atingiram 6,12 bilhões de euros, também atendendo às previsões dos analistas.
A Optical Networks liderou o crescimento com um aumento de 17%, já que a entrada de pedidos permaneceu forte e a relação entre pedidos e faturamento permaneceu acima de um, impulsionada pela demanda por IA e serviços de nuvem. A Nokia considera essa unidade crítica para expandir a infraestrutura de IA, com investimentos destinados a apoiar o desempenho de longo prazo, informou a empresa.
O grupo espera que o lucro operacional comparável em 2026 fique entre 2 bilhões e 2,5 bilhões de euros, uma perspectiva que os analistas da Jefferies consideraram “um pouco conservadora” em nota sobre o balanço.
A Nokia afirmou que manterá o pagamento de dividendos inalterado em relação ao ano anterior, em até 14 centavos de euro por ação.


