Setor automotivo europeu enfrenta falta de chips da Nexperia
Apesar de expectativa por acordo, montadoras alemãs relatam ainda escassez

Fornecedores automotivos alemães ainda enfrentam escassez de fornecimento de chips provocada por uma disputa sobre a fabricante Nexperia, e o problema causa interrupção de produção na Bosch, afirmou a empresa nesta terça-feira (18).
China e Holanda têm travado uma batalha pelo controle da Nexperia, embora haja esperanças de que o impasse seja amenizado com o envio de uma delegação do governo holandês a Pequim nesta semana para tentar chegar a um acordo.
A Bosch disse que está enfrentando interrupção em três fábricas: Ansbach e Salzgitter, na Alemanha; e Braga, em Portugal.
"Continuamos a priorizar tudo o que podemos para atender nossos clientes e evitar restrições de produção ou mantê-las em um nível mínimo", disse a companhia.
Os chips da Nexperia, com sede na Holanda, são tecnologicamente simples, mas onipresentes em sistemas eletrônicos de automóveis e outros produtos de consumo.
O governo holandês assumiu o controle da empresa chinesa em setembro por temer transferências de tecnologia, o que levou Pequim a restringir as exportações de produtos acabados da empresa a partir da China.
Isso fez com que os principais fornecedores, como Bosch, Aumovio e ZF Friedrichshafen, buscassem fornecedores alternativos, enquanto o Ministério do Comércio da China concedeu isenções de proibição de exportação para alguns deles.
A ZF Friedrichshafen disse que têm certeza sobre fornecimento até meados da próxima semana.
A associação automotiva alemã VDA disse que a situação continua tensa.
"É muito cedo para dar tudo certo - não podemos descartar outros impactos nas cadeias de suprimentos nas próximas semanas", disse o diretor administrativo da VDA, Marcus Bollig, à Reuters.
A escassez está atingindo as cadeias de suprimentos em todo o mundo, com a japonesa Nissan cortando produção em mais de 1.400 veículos na próxima semana, disse uma pessoa familiarizada com o assunto.
Enquanto isso, a Honda sinalizou alguma flexibilização, dizendo que retomará a produção regular em suas fábricas na América do Norte.
No Brasil, a indústria automotiva chegou a soar alarme sobre possível escassez de componentes eletrônicos semelhante à ocorrida durante a pandemia. Mas no início do mês, o governo chinês anunciou abertura de canais de diálogo com o setor automotivo brasileiro para evitar desabastecimento.


