Sindicato dos Bancários cobra proteção aos funcionários do Banco Master
Segundo comunicado do sindicato, a instituição possui 515 trabalhadores, que “serão diretamente afetados”; associação também acompanha impactos sobre Will Bank, banco digital do Master

O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região cobrou, em nota divulgada na terça-feira (18), a proteção dos trabalhadores do Banco Master após a instituição financeira ter sido liquidada pelo Banco Central, ao mesmo tempo que é alvo de uma operação da Polícia Federal.
Segundo o sindicato, o Banco Master possui 515 funcionários – conforme dados de junho deste ano –, que “serão diretamente afetados”.
A associação de trabalhadores também disse que acompanha de perto possíveis efeitos indiretos sobre os 756 trabalhadores do Will Bank, banco digital do Master, considerando que “eventuais desdobramentos envolvendo o Banco Master podem repercutir nas operações da instituição.”
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master na véspera, regime de resolução para interromper o funcionamento de uma instituição e promover sua retirada do Sistema Financeiro Nacional. Além disso, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso durante a Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF.
A operação investiga a emissão de títulos de crédito falsos por instituições do Sistema Financeiro Nacional. São apurados crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa, entre outros.
O Sindicato dos Bancários também reforçou, nesta terça, preocupação com os clientes do Banco Master. “Também expressamos preocupação com os aproximadamente 12,4 milhões de clientes do Banco Master, que podem enfrentar impactos significativos.”, disse a associação em comunicado.
“O Sindicato segue atento, cobrando transparência e buscando todas as informações necessárias para proteger os direitos dos trabalhadores e garantir que qualquer ação siga rigorosamente a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria e a legislação vigente, sobretudo diante da possibilidade de impactos relevantes sobre os trabalhadores.”
“Esperamos que as soluções passem pela proteção ao emprego dos trabalhadores, que não podem ser penalizados pelos atos praticados pelos gestores do banco.”, conclui a nota do sindicato.
A CNN entrou em contato com o Banco Master e com o Will Bank a respeito da solicitação do Sindicato. A emissora não teve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.
Relembre Caso Master
O Banco Master tomou os holofotes do noticiário de terça-feira após, com poucas horas de intervalo, a Polícia Federal prender o banco da instituição e o Banco Central decretar a sua liquidação extrajudicial.
A liquidação do Master ocorreu menos de um dia após a Fictor Holding Financeira anunciar a compra da instituição, operação suspensa com a decisão do BC.
Ao mesmo tempo, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que investiga a emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional. São apurados crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa, entre outros.
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso na noite de segunda, no Aeroporto de Internacional de Guarulhos, quando viajaria para Dubai. A defesa de Vorcaro afirmou que a viagem estava relacionada ao processo de venda da instituição.
Vorcaro era conhecido no mercado financeiro por sua gestão arrojada e investimentos de alto risco. O banco atraía recursos oferecendo CDBs (Certificados de Depósito Bancário) com valores acima do mercado, uma prática que já causava incômodo em parte do setor financeiro.
Ao longo deste ano, o Master tentou alinhar a venda de seus ativos para outros players do mercado financeiro.
Em março, o conselho de administração do BRB (Banco de Brasília) havia aprovado um contrato de compra e venda de ações do Master.
A Superintendência-Geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) havia decidido pela aprovação, sem restrições, da operação. Em setembro, porém, o Banco Central rejeitou a tentativa do BRB de adquirir o Master.
Autoridades em Brasília estão convencidas de que o suposto interesse do Grupo Fictor na compra do Banco Master foi somente uma "cortina de fumaça" para dar mais tempo ao sócio da instituição financeira, Daniel Vorcaro, de driblar as autoridades e fugir do país.


