"Somos exclusivos": AJ Realty prepara pipeline robusto para 2026
Jaimes Almeida Junior fala à CNN sobre próximos passos da empresa e cenário econômico do país

Os 45 anos de história da Almeida Junior foram construídos nas principais cidades de Santa Catarina. A empresa é responsável por levantar e administrar os principais shopping centers do estado, detendo 71% do market share da indústria.
E para aproveitar o máximo possível do potencial desses empreendimentos, a AJ Realty, braço da Almeida Júnior, aposta na proximidade do cliente com os shoppings. Como? Integrando o espaço de varejo com o de moradia.
Segundo Jaimes Almeida Junior, CEO da AJ Realty, um dos motivos que levaram a empresa-mãe a apostar na ideia foi o fluxo nos shoppings da marca. Eles receberam, em 2024, visitantes numa quantia equivalente a mais de quatro vezes a população de Santa Catarina: 33 milhões de pessoas.
“Isso é o resultado da dominância dos ativos, da qualidade dos shoppings, da qualidade do tenant mix e, obviamente, as pessoas vão querer morar próximo disso”, disse Jaimes à CNN.
Na próxima semana, a AJ Realty lança o Continente Shopping Residence, na região da Grande Florianópolis, que promete ser o maior complexo multiuso de Santa Catarina. Hoje, o Continente Shopping é um empreendimento de 44 mil m² de área bruta locável - espaço que está disponível para aluguel - com 271 lojas. No caso do residencial que será apresentado, são 100 mil m² de construção, com destaque para os 1.100 m² de área de lazer para cada torre.
“O cliente, quando compra um apartamento, a rigor, ele ganha um shopping center [...], porque ele está dentro da célula do shopping [...], para ter acesso a tudo que um shopping center pode oferecer”, pondera o executivo, que acrescenta que a aposta é um ganha-ganha também para o lojista.
“Nós estamos criando uma dinâmica muito forte do cotidiano, do morador dos apartamentos, dos prédios, junto aos shoppings", pontua.
Considerando o conceito multiuso, Almeida Junior ressalta também como qualidade competitiva da operação a AJ Realty aproveitar do espaço da própria empresa-mãe, sem ter de pagar permuta ou passar por dificuldades burocráticas maiores.

“Nós estamos fazendo tudo in-house. Uma empresa do grupo está desenvolvendo projetos para otimizar aos moradores dessas unidades um lifestyle totalmente diferenciado”, pontua.
“A AJ Realty não vai fazer nenhum outro projeto que não seja corpo único com os shoppings da Almeida Júnior. Então, esse é um ponto importante. O nosso negócio é shopping centers. A AJ Realty é uma vertical da família, do grupo, para otimizar os empreendimentos de real estate multiuso junto aos nossos shoppings. [...] Então não é um land bank que tem passivo de permuta, de ter que investir nos terrenos. Os terrenos já são nossos. Então é uma empresa que já nasce sem o que normalmente as incorporadoras acabam tendo”, ressalta.
Para 2026, estão planejados mais dois residenciais: três torres junto ao Neumarkt Shopping, em Blumenau, que foi o primeiro shopping center da companhia; e o Balneário Shopping Residences, prédio de 40 pavimentos, para o qual a AJ Realty já possui alvará de obras e está iniciando os projetos complementares.
“Balneário Camboriú é um case nacional. Balneário Camboriú está em todas as mesas de reuniões de executivos, de companhias, estudando o case do Balneário. Essa é a realidade. É onde tem o metro quadrado mais caro do Brasil. O mercado imobiliário mais ativo do Brasil. Então, vários são os fatores que fizeram com que Balneário Camboriú chegasse a isso. Nós temos lá o Balneário Shopping, que é o iconic mall da companhia”, relata Almeida Junior.
Estão no pipeline da AJ Realty também oito torres no Norte Shopping, outro empreendimento em Blumenau, que atende o Vale Europeu, “um empreendimento super importante”, segundo o executivo.
"Nós entendemos que os nossos ativos, os nossos projetos são diferenciados, porque os nossos shoppings são os shoppings dominantes, são shoppings exclusivos, praticamente em cada um dos mercados onde nós atuamos".
O setor imobiliário depende fortemente do crédito e é um dos que mais sofre em cenário de juros elevados. Mas mesmo com a Selic em 15%, Almeida Junior vê com clareza um futuro positivo para a companhia.
“Santa Catarina é um estado diferenciado. Santa Catarina é a Suíça brasileira. Essa é a realidade. [...] É um estado não endividado, é um consumidor não endividado, que a dinâmica de juros não interferiu no final do dia na dinâmica de consumo”, conclui.


