UBS solicita licença bancária nos EUA para impulsionar gestão de patrimônio

Embora altos executivos do UBS insistam que o banco não tem intenção de deixar a Suíça, estabelecer uma base mais sólida nos EUA poderia ajudá-lo a expandir seus negócios, à medida que busca atender as demandas dos investidores por maiores retornos

Oliver Hirt e Ariane Luthi, da Reuters, Zurique
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O UBS solicitou nesta segunda-feira (27) uma licença bancária nos Estados Unidos, de olho no crescimento da área de gestão de patrimônio na maior economia do mundo.

Desde que assumiu o Credit Suisse em 2023, o UBS passou por novas regulamentações na Suíça, que considerou tão extremas que estudou a possibilidade de transferir sua sede para o exterior, disseram fontes.

Embora altos executivos do UBS insistam que o banco não tem intenção de deixar a Suíça, estabelecer uma base mais sólida nos EUA poderia ajudá-lo a expandir seus negócios, à medida que busca atender as demandas dos investidores por maiores retornos.

Crescimento nos EUA

Em um memorando enviado aos funcionários, que a Reuters teve acesso, Rob Karofsky, presidente do UBS Americas, e Michael Camacho, chefe do UBS Global Wealth Management US, disseram que o banco havia protocolado seu pedido de Carta Bancária Nacional para o UBS Bank USA.

"Esta medida faz parte do nosso objetivo de longo prazo de consolidar o status do UBS como um dos principais gestores de patrimônio global nos EUA e investir em áreas que impulsionarão o crescimento", afirmou o documento.

Com o objetivo de evitar a repetição do colapso do Credit Suisse, o governo suíço propôs regras de capital mais rígidas para as unidades estrangeiras do UBS, uma medida que, segundo a ministra das Finanças, Karin Keller-Sutter, tornará o crescimento no exterior "mais caro" para o banco.

O UBS teme que as regras o coloquem em desvantagem em relação aos concorrentes e espera conseguir chegar a um acordo.

Aprovação em 2026

Se concedida, a licença permitiria ao UBS igualar toda a gama de serviços oferecidos pelos bancos americanos, incluindo contas correntes, contas poupança e crédito imobiliário.

O UBS afirmou que espera a aprovação da licença em 2026. Se concedida, ele será o primeiro banco suíço a obter tal licença nos Estados Unidos.

O memorando afirmou que o pedido não sinalizava o lançamento imediato do produto, mas abria caminho para etapas futuras. O desenvolvimento de novos produtos e serviços é um processo complexo, que dura anos e será implementado em fases, afirmou o UBS.

Os Estados Unidos, onde mais de 1.000 pessoas se tornaram milionárias todos os dias em 2024, são o mercado em crescimento mais importante para o negócio de gestão de patrimônio do UBS. Uma reportagem em setembro mostrou que o UBS estava considerando uma mudança para os EUA.

O UBS é menos lucrativo do que os principais bancos dos EUA, como o Morgan Stanley , uma lacuna que pretende diminuir.

Sergio Ermotti, presidente-executivo do UBS, disse em 2024 que o banco tem a base de custos de uma organização muito maior, mas não tem a oferta de produtos para explorar totalmente seu potencial.

A gestão de patrimônio nos EUA é um negócio de escala, disse o presidente do conselho de administração do UBS, Colm Kelleher, no final do ano passado, observando que o Morgan Stanley conseguiu dobrar sua lucratividade depois de comprar a empresa de serviços financeiros americana Smith Barney.

 

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