COP30

Ninguém pode falar pelos indígenas, diz liderança Xipaya sobre COP30

Empreendedora destaca protagonismo indígena nas discussões climáticas e mostra como negócios sustentáveis podem proteger a floresta

Tayana Narcisa, da CNN, Belém, Pará
Katyana Xipaya, indígena e empreendedora, durante evento da CEBDS.
Katyana Xipaya, indígena e empreendedora, durante evento da CEBDS.  • Carlos Borges
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A participação indígena na construção de soluções para a crise climática não pode ser feita por terceiros. Essa é a mensagem de Katyana Xipaya, liderança indígena e fundadora do chocolate Sidjä Wahiü, que defendeu o protagonismo dos povos tradicionais durante o 12º Congresso Sustentável do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), em Belém (PA). “Ninguém pode falar por nós indígenas, mas nós podemos falar pelo planeta”, afirmou.

Katyana participou do painel que debateu como transformar conservação, restauração e biodiversidade em modelos de negócio inovadores, incluindo financiamento, cadeias de valor e tecnologia que viabilizem soluções baseadas na natureza em escala global.

Para ela, o evento considerado uma pré-COP30 é um momento crucial para garantir que as comunidades da floresta ocupem seus espaços de direito e apresentem suas contribuições. “Estar nesse cenário, trazendo a nossa fala e não alguém falando por nós, é ocupar o espaço que é nosso, onde só temos a contribuir com a sociedade”, reforçou.

Empreendedora à frente da marca Sidjä Wahiü, Katyana tem se destacado ao transformar o cacau produzido por famílias indígenas Xipaya em chocolate de alta qualidade, conectando tradição, geração de renda e preservação da floresta.

O trabalho busca agregar valor aos produtos nativos e promover a autonomia econômica da comunidade, mostrando que desenvolvimento sustentável e conservação podem caminhar juntos. Além do chocolate, o projeto inclui ações de reflorestamento, práticas agroecológicas e incentivo à permanência dos jovens na aldeia, evitando o êxodo rural.

Katyana destacou que povos indígenas e comunidades tradicionais não apenas vivem a realidade da floresta, mas também têm conhecimento ancestral sobre preservação que pode ajudar a enfrentar a emergência climática.

“Nós nos preocupamos, vivemos, respiramos e a floresta é a nossa mãe terra. Se não houver preocupação com preservação, sustentabilidade e consumo consciente, tudo que estamos construindo será em vão”, alertou.

A 12ª edição do Congresso Sustentável do CEBDS, que aconteceu nesta semana no Teatro Estação Gasômetro, faz parte das preparações para a 30ª Conferência do Clima da ONU (COP30), prevista para novembro de 2025 em Belém.

O evento reuniu lideranças empresariais, especialistas, representantes de governos e comunidades tradicionais para debater estratégias que aliem desenvolvimento econômico, justiça social e preservação ambiental na Amazônia.

Segundo o governo federal e a organização da COP30, garantir a participação efetiva de comunidades indígenas e tradicionais é prioridade para que o evento seja representativo e construído de forma inclusiva.

A CEO da COP30, Ana Toni, afirmou que o diálogo com esses povos está em curso e que o Brasil quer mostrar ao mundo um modelo de conferência que valorize a diversidade cultural e os saberes tradicionais na formulação de soluções para a crise climática.

Para Katyana, a COP30 em Belém tem potencial para marcar uma virada na forma como a sociedade escuta — e respeita — quem vive na floresta. “Essa construção depende de todos, não só de um povo. Juntos podemos construir algo duradouro para que as próximas gerações não sofram o impacto que nós ou outros causamos”, concluiu.

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