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    PIB do Brasil deve crescer 1,4% em 2024 e 2,5% em 2025, projeta Banco Mundial 

    Instituição destaca a discussão nas mudanças nas regras fiscais do país, incluindo os ajustes nos limites de gastos

    Diego Mendesda CNN

    São Paulo

    O Banco Mundial projetou, em sua previsão de crescimento global em 2023, que o Brasil tenha uma desaceleração no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 1,2% neste ano, porém, em seguida, sobe ligeiramente para 1,4% em 2024. No ano seguinte, 2025, a expectativa é de alta de 2,5%.

    Os dados foram divulgados nessa terça-feira (6) no último relatório Perspectivas Econômicas Globais. De acordo com o documento, o resultado se deu devido à inflação nominal e o núcleo que caíram de seus picos e, recentemente, abaixo do limite superior da meta do Banco Central.

    “Espera-se que as taxas de juros diminuam no segundo semestre do ano, à medida que a inflação recua ainda mais, permitindo a recuperação em 2024.”

    Além disso, a instituição ressaltou que a incerteza sobre a política fiscal continua prejudicando a confiança empresarial e o investimento.

    A explicação para os resultados de crescimentos tímidos neste e nos próximos anos foi atribuída às exportações agrícolas.

    “Elas devem crescer fortemente por causa das colheitas robustas de soja e milho, porém, a demanda externa não deve sustentar o crescimento de forma significativa em 2023.”

    Os países vizinhos também serão impactados com este cenário interno do Brasil. O relatório aponta que a produção na Argentina deve cair 2% em 2023 e crescer 2,3% em 2024, à medida que a economia se recupera da grande seca deste ano.

    Enquanto isso, a desaceleração econômica deste ano no Brasil, principal parceiro comercial da Argentina, pesará nas exportações de não commodities do país. A resultante escassez de divisas criará dificuldades para os importadores, principalmente os das indústrias não agrícolas.

    O Brasil também poderá ter surpresas com a situação externa. Apesar da recuperação do crescimento da China neste ano, seu setor imobiliário permaneceu fraco, contido por ventos estruturais contrários.

    “Se deteriorar ainda mais, isso pode afetar significativamente os preços globais do metal. Esse risco negativo é particularmente relevante para Brasil, Chile e Peru.”

    Cenário mundial

    O Banco Mundial elevou a previsão de crescimento global em 2023, já que os Estados Unidos e outras grandes economias se mostraram mais resilientes do que o previsto, mas disse que taxas de juros mais altas exercerão um peso maior do que o esperado no próximo ano.

    O PIB global real deve subir 2,1% este ano. Isso representa um aumento em relação à previsão de 1,7% divulgada em janeiro, mas bem abaixo da taxa de crescimento de 2022 de 3,1%.

    O banco cortou sua previsão de crescimento global em 2024 para 2,4%, de 2,7% em janeiro, citando os efeitos contínuos da política monetária mais rígida, principalmente na redução de investimentos comerciais e residenciais.

    “O crescimento ao longo do restante de 2023 deve desacelerar substancialmente, pois é pressionado pelos efeitos defasados ​​e contínuos do aperto monetário e das condições de crédito mais restritivas”, afirmou o Banco Mundial.

    O relatório mostra que o crescimento dos EUA para 2023 está agora estimado em 1,1%, mais do que o dobro da previsão de 0,5% em janeiro, enquanto a expansão da China deve subir para 5,6%, em comparação com uma previsão de 4,3% em janeiro, após 3% em 2022.

    No entanto, reduziu pela metade sua previsão anterior de crescimento dos EUA em 2024 para 0,8% e cortou a previsão da China em 0,4 ponto percentual, para 4,6%.

    Estresse bancário

    O estresse recente do setor bancário também está contribuindo para condições financeiras mais apertadas que continuarão em 2024, disse o credor.

    O Banco Mundial citou um possível cenário negativo em que o estresse bancário resulta em uma grave crise de crédito e em um estresse do mercado financeiro mais amplo nas economias avançadas.

    Isso provavelmente reduzirá o crescimento de 2024 quase pela metade, para apenas 1,3% – o ritmo mais lento em 30 anos com exceção das recessões de 2009 e 2020.

    “Em outro cenário em que o estresse financeiro se propaga globalmente em um grau muito maior, a economia mundial entraria em recessão em 2024”, acrescentou o banco.

    O banco disse que a inflação deve cair gradualmente à medida que o crescimento desacelera e a demanda por trabalho em muitas economias diminui, e os preços das commodities permanecem estáveis. Mas acrescentou que o núcleo da inflação deve permanecer acima das metas dos bancos centrais em muitos países ao longo de 2024.

    *Com informações da Reuters.