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    PIB do trimestre traz boas notícias ao BC e abre espaço para corte nos juros, diz especialista

    Segundo economista-chefe do Inter, crescimento do PIB teve base na oferta; demanda "paralisada" traz sinalização positiva ao BC

    Da CNN

    São Paulo

    A economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, indicou em entrevista à CNN nesta quinta-feira (1º) que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no primeiro trimestre teve base no avanço da oferta. Segundo a especialista, a demanda “paralisada” abre espaço para que haja cortes na taxa básica de juros.

    “Para a política monetária, o PIB foi uma boa notícia. O fato de o consumo não estar crescendo mostra que não há uma pressão pelo lado da demanda, e isso abre espaço para um corte de juros”, explica.

    O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta quinta-feira, que o PIB do Brasil cresceu 1,9% no primeiro trimestre de 2023 na comparação com o período imediatamente anterior. Contudo, a Despesa de Consumo das Famílias avançou 0,2%.

    A especialista explica que normalmente o avanço do PIB indica aquecimento da economia e, automaticamente, pressão inflacionária. Todavia, com o crescimento voltado à oferta, o cenário é diferente.

    “Quando a gente olha os dados qualitativos do PIB a gente vê o oposto, é um PIB que cresceu baseado na oferta. E quando você tem crescimento da oferta com demanda paralisada significa que não há essa pressão inflacionária”, explica.

    Segundo Rafaela Vitória, os dados abrem espaço para que o Comitê de Política Monetária (Copom) sinalize essa tendência já na ata de junho, e o Banco Central (BC) inicie os cortes em agosto.

    Crescimento surpreende

    A economista afirma que o resultado do PIB no trimestre veio acima das expectativas do mercado e destaca o papel do agronegócio para essa “surpresa”. “O crescimento do agro foi bastante surpreendente. É atípico, não é sempre que vemos um setor da economia crescendo 20% em um trimestre”, comenta.

    Segundo o IBGE, o resultado foi puxado, principalmente, pelo crescimento de 21,6% da agropecuária, maior alta para o setor desde o quarto trimestre de 1996. O setor responde por cerca de 8% de toda a economia do país.

    A especialista indica que o número divulgado pelo IBGE deve ajustar para cima as expectativas do PIB de 2023. Ela sugere, contudo, cautela às projeções.

    “Acho que naturalmente essa surpresa já coloca uma elevação maior na expectativa. A gente tinha 1,5%, só com essa alta a gente já olha 1,7%. Se a gente fizer a conta com o carrego estatístico, se o PIB não crescer mais nada e também não cair nos próximos trimestres, esse crescimento pode ser acima de 2%”, aponta.

    Entre os fatores que sugerem cautela, segundo a economista, estão a reversão no ciclo das commodities e a própria taxa de juros (em 13,75% ao ano desde agosto de 2022).

    Publicado por Danilo Moliterno.