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    PPI é jogar autossuficiência em petróleo fora, diz Jean Paul Prates à CNN

    Petrobras anunciou o fim da política de paridade de importação (PPI) para o estabelecimento do preço da gasolina e do diesel no país

    Diego MendesElis Francoda CNN

    São Paulo

    Nesta terça-feira (16), o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, falou à CNN sobre a nova política de preços da empresa. Segundo ele, a partir de agora, a companhia vai conseguir explicar a lógica de se sair de uma prisão de um conceito só.

    Prates afirmou que a PPI — política de paridade de importação — é jogar a competitividade, a atratividade e a vantagem de se ter refinarias brasileiras fora. “Então, hoje, a gente se liberta, se alforria deste dogma, desta miragem que, aliás, foi pouco praticado. A gente volta a praticar uma política de uma empresa normal, que faz preço de acordo com suas vantagens.”

    Ele disse que, em 2017, ano de implantação da PPI, foi feito uma espécie de laboratório aos brasileiros. “Colocaram o preço de todos os produtos derivados de petróleo, e o próprio petróleo, como fossem produzidos todos lá fora. Isso se chamou paridade de importação.”

    O presidente da estatal ponderou que uma coisa é o país não se excluir da comunidade internacional, fazer trocas, comprar e vender óleo, trocar tipos de óleo diferente, comprar e vender produtos derivados, e acompanhar tendências e patamares de preços de produtos refinados e cru — até de gás natural — de mercado internacional.

    Outra coisa, segundo ele, é aplicar a PPI como uma única solução. “Essa política, que nunca consegui entender, só deu confusão, a começar pela greve dos caminhoneiros, que acabou com o governo Temer”.

    O presidente da Petrobras reforçou que a regra de preços internacionais levava a entender que o país não tinha nenhuma refinaria e nenhuma produção de petróleo. “O consumidor da Petrobras é a distribuidora. Então, temos que ser a melhor opção desse cliente.”

    Previsibilidade

    Atualmente, o Brasil não tem autossuficiência no combustível refinado, pois uma parte desse produto vem de fora. Porém, Prates reforçou que o PPI não tinha regras e nem previsibilidade, pois nunca foi aplicado em todas as regiões do país igualmente.

    “Como é que se calcula o PPI: é o preço de Hamburgo, ou de Roterdan, mais o frete, mais as despesas, colocadas na porta da refinaria de Duque de Caxias, ou na refinaria de Cubatão, ou refinaria de Canoas. Isso é uma abstração, não existe. Nunca foi aplicado à risca.”

    De acordo com o CEO da petroleira, o PPI poderia ser um parâmetro, uma referência, mas uma dentre várias que as empresas usam para fazer seus preços mundo afora. “Essa ‘previsibilidade’ também é meio mitológica. A nossa deverá ser a mesma de qualquer empresa que faz os seus preços.”

    Ele pontuou que há uma vantagem de estar quase chegando ao limiar de uma autossuficiência, mas ponderou sobre se isolar de uma realidade internacional. “Um país que seja autossuficiente em petróleo, em diesel, em gasolina, em tudo, também não pode se desgarrar totalmente da referência internacional, ele vive na comunidade internacional.”

    E lembra que os países que fizeram isso não se deram bem. “Deram ‘de graça’ o gás, como no caso da Bolívia; ou diesel, como no caso da Venezuela, para os seus cidadãos, acreditando que assim ia turbinar a economia com um combustível muito mais barato, totalmente desgarrado da lógica internacional. Isso não dá certo também.”

    Mas, pondera que, com esses exemplos, não quer dizer que do outro lado se tenha que sofrer a volatilidade da Ucrânia, da Alemanha, imediatamente em tempo real e em dólar no Brasil.

    Ele afirmou, então, que vai implementar esse modelo aos “pouquinhos”. “Nós já havíamos implementando desde o início do ano. Não podíamos anunciar antes das devidas aprovações internas, do próprio processo de governança da empresa. Isso é um processo, dentro de uma empresa aberta, de remodelação de como formatar esse preço internamente para então anunciar e, aos poucos, ir implementando isso de novo.”

    E o que é esse modelo?

    Prates explicou que esta política de precificação é um modelo de otimização complexo, mas que todas as empresas de petróleo utiliza. Todos esse emaranhado de equações, intitulado de programação linear pelo presidente da Petrobras, é mais complexo do que um PPI, que nunca foi empregado totalmente.

    O resumo deste modelo, segundo Prates, é o seguinte: primeiramente, a empresa vai até ao preço máximo, que é o custo alternativo do cliente. “Esta é a hora que o cliente vai embora, diz que está caro, que não vai comprar mais de você”, afirmou.

    Aí, então, se aplica o preço mínimo, que é aquele que, para a empresa, não consegue vender abaixo de um certo patamar. “É aí que o investidor deve ficar tranquilo. Nós não vamos vender abaixo de um preço que a empresa perca sua marca, ou margem congênere, ou margem aplicável àquele mercado.”

    Ele exemplifica que esse modelo vai dar o máximo e o mínimo. “O mínimo é quando eu não me interesso mais em vender, porque está ruim para mim. O máximo é quando o cliente vai embora e não compra de mim e eu perco mercado.”

    Reajustes

    Atualmente, o preço do barril do petróleo está baixo. Por isso, essa margem de queda no preço da gasolina de R$ 0,40 e do diesel de R$ 0,44 a partir de quarta-feira (17), foi possível. Mas, e se o cenário inverter e o valor do barril voltar a subir, o combustível volta a ficar mais caro?

    Prates responde que sim. Mas afirma que não vai subir na mesma hora, na mesma proporção, na mesma volatilidade que em 2021 e 2022.

    “Nós somos produtores de petróleo e nós temos refinarias que são capazes de entregar, pelo menos, 80% ou mais de cada produto que a gente precisa. Seja aviação, gás de cozinha, seja diesel, seja gasolina, asfalto, lubrificante básico, enfim, nós temos capacidade de produzir e temos condição de administrar nosso preço como empresa também.”

    Entretanto, diz que não tem como ficar completamente alienado da realidade mundial do preço da commodity brent, diesel, gasolina, etc. “A gente vai ter, com certeza, muito mais defesa contra a volatilidade do que antes. O PPI entrega, sem nenhum amortecimento, a volatilidade especulativa e intemperes de países que não têm nada a ver com a gente, na mesma hora, em tempo real e em dólar.”