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    Preços altos e escassez de voos estão entre principais dificuldades para estrangeiros que tentam deixar Israel

    Muitos têm de recorrer a embaixadas e viajar em aviões militares

    Pessoas se acumulam no Aeroporto Internacional Ben Gurion depois que muitos voos do exterior foram cancelados devido aos ataques lançados pelo Hamas
    Pessoas se acumulam no Aeroporto Internacional Ben Gurion depois que muitos voos do exterior foram cancelados devido aos ataques lançados pelo Hamas Turgut Alp Boyraz/Agência Anadolu via Getty Images

    Jennifer Kornda CNN

    Nova York

    Estrangeiros e cidadãos com dupla nacionalidade têm enfrentado dificuldades para encontrar formas de sair de Israel após o início do conflito na região.

    Entre as principais complicações enfrentadas estão o aumento dos preços dos bilhetes, voos cancelados, embaixadas sobrecarregadas e desinformação sobre novos ataques

    Muitas das pessoas que tentam deixar o país acabaram sem saída no Aeroporto Internacional Ben Gurion, já que os voos foram suspensos logo após o início dos ataques do Hamas no dia 7 de outubro.

    Aqueles que tiveram a sorte de embarcar, por vezes, aceitaram escalas temporárias em terras estrangeiras, onde dependiam do acolhimento de estranhos.

    Obstáculos

    A primeira preocupação para quem pretendia deixar Israel era quando os voos de partida seriam retomados, seguida pelas frustrações de realmente reservar o voo.

    “Cada vez que você clicava no voo mostrado no site, ele atualizava ‘indisponível’, ou você chegava ao pagamento e dizia: ‘desculpe, o voo não existe’”, disse Jillian, de 25 anos, que possui dupla cidadania norte-americana e israelense.

    A jovem se recusou a fornecer seu sobrenome por medo de retaliação anti-semita.

    Após as principais companhias aéreas internacionais cancelarem voos de e para Israel, as pessoas que pretendiam partir foram instruídas a viajar com a empresa local EI AI Israel Airlines. Contudo, todos os lugares foram rapidamente preenchidos até perto do final do mês.

    Qualquer pessoa que desejasse sair tinha poucas opções além de esperar horas ao telefone com o atendimento ao cliente da companhia aérea israelense, contou Jillian.

    “Enquanto isso, todas as nossas famílias no exterior colocam pressão sobre nós para sairmos por quaisquer meios necessários e pegarmos qualquer voo que pudermos para qualquer país que pudermos no mundo”, disse a jovem.

    Jillian também é dona de um cachorro e teve que se esforçar para entender as regulamentações globais para animais de estimação.

    Os documentos para viajar com animais de estimação não estavam sendo processados ​​para nenhum país além dos Estados Unidos, disse Jillian. Mas, com a procura, os preços dos voos acabaram disparando.

    Dificuldades em aeroportos

    Um cidadão de Tel-Aviv que possui dupla nacionalidade britânico-israelense relatou ter lidado com um voo cancelado e a desorganização no aeroporto, antes de ser rejeitado no portão por falta de assentos enquanto outras pessoas forçaram a entrada.

    “Quando estávamos embarcando – porque estava tudo caótico – cerca de 10 pessoas atravessaram o tripulante”, disse ele. “Alguém chegou a comentar: ‘com licença, você sabia que 10 pessoas passaram por você sem digitalizar o cartão de embarque?’”

    Depois de enfrentar vários voos cancelados e poucas opções, alguns relataram ter que comprar assentos só de ida na classe executiva para Los Angeles, Nova York ou Londres por até US$ 2.600 (R$ 13.151,58).

    Muitos acabaram desistindo dos voos para os seus países de origem e, em vez disso, estavam dispostos a aceitar passagens para qualquer lugar fora de Israel.

    “Conseguir voos era absolutamente impossível”, disse Emma Gottlieb, uma cidadã americana-israelense de 25 anos, de Los Angeles, que agora mora em Tel Aviv.

    Depois de pesquisar por horas, atualizando o site entre 5 a 10 minutos, Gottlieb não conseguiu encontrar voos para “qualquer cidade da Europa, qualquer cidade dos EUA” saindo antes da semana seguinte.

    A cidadã de Los Angeles enfim conseguiu encontrar uma passagem de ida e volta da British Airways para Londres.

    “Não havia mais nada. Minha família estava em pânico, e eu estava um pouco em pânico”, disse Gottlieb, que não despachou nenhuma mala por temer que uma sirene soasse enquanto esperava no Ben Gurion.

    “Havia rumores de que o aeroporto estava fechando. Ninguém sabia realmente o que iria acontecer.”

    Desde o voo de Gottlieb para Londres pela British Airways, a transportadora suspendeu todos os voos de e para Israel por questões de segurança.

    Outros que pretendiam deixar Israel contam ter recebido informações falsas sobre ataques com foguetes que teriam destruído o aeroporto.

    Rachel Hammer, uma ex-residente do Novo México de 35 anos, que se tornou cidadã de Israel em 2012, disse que três pessoas diferentes lhe contaram a mesma notícia falsa de que o aeroporto havia sido bombardeado.

    Mesmo assim, Hammer seguiu para o Ben Gurion e acabou conseguindo um voo para o Chipre.

    Contudo, ela ainda precisava de acomodação.

    Hammer comentou sobre sua situação em um grupo do Facebook de mulheres que moravam em Tel Aviv. Ela acabou conseguindo se conectar com um casal de idosos ortodoxos em um pequeno vilarejo.

    “Toda a família deles foi muito acolhedora e criou um lugar seguro para eu ficar e disseram: ‘não importa quanto tempo você precise ficar aqui, está tudo bem’”, contou Hammer à CNN.

    Parece que estamos no Holocausto quando ouvimos histórias de como os não-judeus também protegeram os judeus.”

    Recorrendo a embaixadas

    Outros cidadãos estrangeiros que pretendem deixar Israel o mais rápido possível recorrem às suas embaixadas, juntando-se a longas listas de espera e passando horas no aeroporto para embarcar em voos militares para fora do país.

    Um turista polaco de 26 anos que vive na Dinamarca contou que entrou em contato com as embaixadas dinamarquesa e polaca após múltiplas remarcações e cancelamentos de voos em Israel.

    O turista, que pediu para permanecer anônimo, teve dificuldade em chegar à embaixada polaca e foi recusado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca.

    Após as frustações, ele conseguiu encontrar um grupo no WhatsApp de polacos que o ajudou a descobrir os próximos passos.

    “Meu plano era apenas esperar e torcer pelo melhor, porque não havia outras opções e eu queria voltar à minha vida normal”, disse o turista.

    O polaco enfim conseguiu embarcar num voo militar para a Grécia, após esperar no único aeroporto internacional de Israel até às 4h30 devido a atrasos.

    “Estar em um voo militar não é nada como estar em um voo comercial, mesmo se você for adulto é uma experiência assustadora. É barulhento, provoca ansiedade”, disse o turista.

    À medida que os países começam a evacuar os seus cidadãos, o pessoal das embaixadas de todo o mundo lida com viajantes desesperados e longas filas no aeroporto.

    “Há muitos oficiais militares, pessoas em trajes militares de todos os países andando por aí. Vi alemães, holandeses, brasileiros, todos uniformizados”, disse Milo Ferron, um holandês de 28 anos que agora mora em Tel Aviv, enquanto estava em Ben Gurion esperando um voo de evacuação da embaixada.

    “É uma bagunça enorme. A embaixada realmente não tem tantos recursos. As pessoas da embaixada que estão no aeroporto estão super cansadas e estão realmente dando o seu melhor”, disse o turista polonês.

    *Com informações de Pete Muntean, Gregory Wallace e Donald Judd da CNN Internacional

    Veja também: Quinto avião com repatriados de Israel chega ao Brasil

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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