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    Previsões para baixo da inflação abrem espaço para corte de juros, diz Campos Neto

    Presidente do BC disse que redução das taxas longas dão força para início de redução dos juros

    Eduardo Rodrigues e Célia Froufe, do Estadão Conteúdo

    O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse nesta segunda-feira (12) que o custo de crédito tem caído, porque ele não está associado à Selic, mas sim ao comportamento dos juros futuros de longo prazo.

    “É essa taxa de juros longa cair é que abre espaço para a Selic cair. Porque se a Selic cai com a taxa de juros longa acima, demonstra uma falta de credibilidade na política monetária e a taxa de juros longa sobe mais ainda”, afirmou, em evento promovido pelo Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV).

    Aos empresários, Campos Neto disse que os dados do BC apontam que o prazo médio da dívida do varejo é de 3,1 anos. Segundo ele, a taxa de juros nesse intervalo caiu de 13,5% para 10,5% no último mês e meio.

    “Eu torço todo dia para cair os juros. Qualquer banqueiro central quer viver com os juros mais baixos possíveis com inflação estável. Essa queda de juros futuros, de quase 3,0%, já começa a aparecer no custo de crédito de rolagem.

    Se a Selic cai sem credibilidade, não vai diminuir o custo de rolagem de vocês (varejo), vai aumentar, e a gente viu isso na nossa história recente”, argumentou. “Se o juro é ruim para varejo, a inflação é muito pior”, disse ele.

    O presidente do Banco Central, mais uma vez, sinalizou que as revisões para baixo nas projeções longas de inflação abrem espaço para o BC começar a cortar a taxa Selic, hoje em 13,75% ao ano, mas reforçou que o Comitê de Política Monetária (Copom) não tomará decisões artificialmente.

    “Temos que manter a inflação sob controle. O trabalho está sendo feito e entendemos que está no caminho certo. Há um cenário bom, com crescimento sendo revisado para cima e inflação sendo revisada para baixo. Isso abre espaço. Estamos perto da reunião do Copom, eu sou um voto de nove, e não posso adiantar nada do que pode ser feito”, afirmou.

    Campos Neto repetiu que o custo de não combater inflação é muito elevado, e voltou argumentar que a Selic — apesar de “super alta” — é hoje menor que a média histórica na comparação com outros países.

    “Entendendo a insatisfação com os juros, mas é preciso ter paciência. Entendo que as empresas estão sentido muito, algumas mais que outras, e vamos fazer uma força para atingirmos um ambiente de estabilidade para todos o mais rápido possível, mas fazer de forma artificial não alcançará o resultado esperado”, enfatizou.

    Ele reforçou que a tarefa do BC é fazer inflação convergir para a meta. “Tentamos fazer o processo o antes e mais rápido para ter o mínimo de dor possível”, repetiu. “Lembrando é uma decisão de colegiado no Copom, que o debate é amplo e técnico”, acrescentou.