Produção de carros tem queda de 18% em abril, aponta Anfavea

Dados do setor mostram que licenciamentos e exportações também registram mês negativo

Recorde de paralisações de fábricas no ano derruba em 19% a produção de autoveículos em geral
Recorde de paralisações de fábricas no ano derruba em 19% a produção de autoveículos em geral Fernando Ogura/AEN-PR

Diego Mendesda CNN

São Paulo

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou, nesta segunda-feira (8), dados do setor e apontou uma queda geral nos indicadores no mês de abril.

A produção de carros de passeio caiu 18% em comparação com o mês de março. Ao todo foram fabricados 137,5 mil veículos dessa modalidade em abril, contra 167,7 mil em março.

A produção de veículos em geral, que engloba caminhões, ônibus e comerciais leves teve uma queda de 19,4% na produção no mês de abril. No total, foram produzidos 178,9 mil no mês passado e em março, 221,8 mil.

Houve também registro de queda nos volumes de emplacamentos em abril, em parte justificada pelos cinco dias úteis a menos em relação a março. As 160,7 mil unidades emplacadas representaram um recuo de 19,2% sobre o volume de março, e um acréscimo de 9,2% sobre o mesmo mês do ano passado.

“Mesmo com as dificuldades de crédito e juros elevados que afetam sobretudo as vendas no varejo, emplacamos até agora 633 mil unidades em 2023, 14% a mais que no ano passado, quando a crise era somente de falta de oferta”, analisou o Presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite.

Paralisações e adaptações

De acordo com a associação, das 13 paralisações de fábricas registradas no ano, nove delas ocorreram em algum período de abril, o que afetou o volume de produção no mês. Comparando com o mesmo mês de 2022, a queda foi 3,9%, quando a crise dos semicondutores estava em seu momento mais crítico. No acumulado do ano, 714,9 mil autoveículos foram produzidos no país, alta de 4,8% sobre o primeiro quadrimestre de 2022.

“É um ajuste de produção à real demanda pelo consumo. Tivemos a concentração do maior número de paradas em abril para adequar a produção à demanda. Quando pegamos no acumulado do ano, há crescimento de 33 mil unidades produzidas no primeiro quadrimestre deste ano na comparação com 2022 quando houve a crise de (fornecimento de) semicondutores”, disse.

Para caminhões, a situação é ainda mais complexa após o fim do período de três meses em que era permitido emplacar modelos da fase anterior do Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores).

Com isso, as vendas recuaram 16,5% sobre o mês de abril de 2022, confirmando os desafios da introdução da oitava fase do programa de controle de emissões, que deixou os produtos nacionais em linha com os mais avançados modelos globais, porém, com elevação de custo.

Leite destacou que a média diária de vendas de autoveículos em abril foi a melhor do ano, com 8,9 mil unidades/dia, mas que boa parte desse crescimento se deve à
demanda reprimida das locadoras. No mês, 50% dos emplacamentos de automóveis e comerciais leves foram em Vendas Diretas, canal que inclui locadoras, pessoas jurídicas, taxistas, frotas corporativas, PCD, governo, produtores rurais etc.

Conforme a Anfavea, em abril, a porcentagem das vendas financiadas foi de 33% e as à vista 67%, o que representa a dificuldade em obtenção de crédito por parte dos consumidores de menor poder aquisitivo.

O destaque do mês foi a venda para locadoras, totalizando 42 mil unidades, leve redução em relação a março com 53 mil unidades. As vendas diretas representaram metade do total. De janeiro a abril, foram 150 mil veículos emplacados para este tipo de estabelecimento.

Exportações

Segundo o levantamento, abril também foi um mês de queda para as exportações, refletindo o recuo dos principais marcados para os quais o Brasil envia seus produtos: Argentina -13%, México -18%, Colômbia -20% e Chile -48%.

Em abril foram exportados 34,0 mil veículos, enquanto em março foram 44,7 mil, uma queda de 23,9%.

“Além disso, houve uma intensa restrição das importações na Argentina por questões cambiais ao longo das três primeiras semanas do mês. O total das exportações foi de 34 mil unidades, queda de 24% sobre março e sobre abril de 2022.”