Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Propostas para fim do rotativo não podem comprometer sistema de vendas no Brasil, diz Haddad

    Ideia foi aventada na semana passada pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em audiência no Senado

    Cristiane Nobertoda CNN

    Brasília

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu um olhar mais criterioso para o fim do juros rotativo do cartão de crédito. A medida foi defendida pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, na semana passada em audiência no Senado Federal.

    Em entrevista ao jornalista Reinaldo Azevedo — gravada na sexta-feira (11) e divulgada nesta segunda-feira (14) — Haddad afirmou que apesar das taxas serem abusivas, chegando a mais de 400% ao ano, é preciso observar a forma de consumo das famílias brasileiras e como afeta o varejo.

    “Tem que proteger o consumidor, mas não comprometer o sistema de vendas, que é o padrão de compras brasileiro. Até alimento é comprado assim”, afirmou.

    Haddad foi questionado sobre a proposta de Campos Neto em extinguir o crédito rotativo do cartão de crédito. Em audiência no Senado Federal, ocorrida na quinta-feira (10), o presidente do BC afirmou que a medida seria uma forma de combater a inadimplência que, segundo ele, nos últimos dois anos e meio, chegou a 52%.

    A ideia então seria encaminhar os devedores direto para o parcelamento da dívida, que teria taxas de juros em torno de 9% ao mês. A solução deverá ser apresentada pelos técnicos do BC nos próximos 90 dias.

    “Você extingue o rotativo. Quem não paga o cartão, vai direto para o parcelamento. E criar algum tipo de tarifa para desincentivar esse parcelamento tão logo. Não é proibir (o cartão de crédito), mas fazer com que fiquem mais disciplinado para não afetar o consumo. Lembrando que cartão de crédito é 40% do consumo do Brasil”,

    Corte de Juros

    Na entrevista desta segunda, o ministro também voltou a dizer que se surpreendeu com a “demora” no corte da taxa básica de juros. Segundo ele, havia uma angústia no governo, pois “existiam razões técnicas” para o corte e havia uma preocupação generalizada caso não ocorresse.

    “Uma coisa que me surpreendeu foi a demora do corte de juros. Estávamos angustiados porque já existiam razões para o corte de juros. Não poderíamos confiar no PIB do primeiro trimestre, pq o primeiro trimestre era agro, em abril começaria a desaceleração. Se não viesse o corte de agosto, não sei o que iríamos fazer”, disse.

    Campos Neto: Levei puxão de orelha por fim do rotativo