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    Reoneração “parcial” de combustíveis segura projeções de alta na inflação de 2023

    Mercado esperava volta completa dos impostos sobre os combustíveis, alterando as expectativas do IPCA para este ano após o anúncio de Haddad

    Getty Images

    Fabrício Juliãoda CNN

    em São Paulo

    O anúncio da reoneração parcial dos combustíveis feito na véspera pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, provocou mudanças nas expectativas do mercado em relação à inflação deste ano. Isso porque muitas das previsões contavam com a volta de 100% dos impostos federais.

    O anúncio foi da volta de 75% da alíquota original de CID e PIS/Cofins para gasolina e de 21% dos tributos para o etanol, alterou as perspectivas de inflação.

    Como a remodelação não era esperada, o impacto acabou sendo menor que o projetado nas estimativas do IPCA para 2023, afirmaram agentes financeiros à CNN.

    A Órama Investimentos estimava que, com o retorno de 100% da incidência dos impostos sobre os combustíveis, a previsão do IPCA no ano passaria de 5,2% para 6,1%, uma alta de quase 1 ponto percentual.

    Mas, do jeito que foi feito, a corretora aumentou 0,4 p.p. na revisão, esperando agora que o indicador oficial da inflação no país seja de 5,6% até o fim de 2023.

    “A decisão foi boa. Tivemos um recuo de 0,5 ponto percentual, o que é algo positivo. O único problema, na minha visão, é a pressão indireta sobre o Banco Central”, destacou Alexandre Espírito Santo, economista-chefe da Órama.

    Já a Genial Investimentos tinha a projeção de IPCA um pouco mais elevada, em 7,1% neste ano com o retorno dos tributos, mas agora espera uma alta de 6,70%. Em um cenário em que a desoneração era prorrogada, a expectativa da corretora era de IPCA em 6,5% ao ano.

    “Com a redução do preço da gasolina e do diesel pela Petrobras, usando a margem que tinha para diminuir o preço às distribuidoras repassado segundo o PPI, e a volta parcial dos impostos federais, as projeções de IPCA para este ano agora estão abaixo do que o mercado precificava antes do anúncio”, afirmou Paulo Gala, economista-chefe do Banco Master.

    “As previsões agora estão convergindo para uma inflação de 5,5% no ano, porque antes o mercado contava com a reoneração completa, o que não aconteceu. Eu acho que essa medida foi boa, porque, além disso, garante os quase R$ 30 bilhões de arrecadação dos tributos para o governo”.

    Nos últimos dias, após ser sinalizado que haveria uma remodelação para a volta da tributação sobre combustíveis, houve preocupação com a arrecadação federal. Isso porque se fosse feito um retorno parcial das cobranças, o governo deixaria de angariar um montante significativo. Antes da desoneração, a quantia total recolhida destes tributos era de quase R$ 30 bilhões.

    Para fechar as contas, o governo federal informou que vai taxar em 9,2% a exportação de petróleo bruto, pelos próximos 4 meses. A expectativa da Fazenda é que com isso a arrecadação total possa chegar aos R$ 28,88 bilhões esperados pelo governo.

    A indústria do petróleo recebeu com insatisfação a notícia, conforme disseram fontes à CNN. Nesta quarta-feira (1º), as ações de todas as petroleiras do Ibovespa caíam, puxando o principal índice da bolsa brasileira para o vermelho.

    Por fim, os especialistas pontuaram que a arrecadação total decorrente da volta dos impostos é boa para o cenário fiscal brasileiro, o que pode fazer com que os juros sejam reduzidos nos próximos meses com o arrefecimento da inflação.

    O que o mercado agora passa a aguardar ansiosamente, segundo os analistas, é a âncora fiscal prometida por Haddad. O ministro da Fazenda disse nesta quarta em entrevista ao Uol que o novo arcabouço fiscal pode ser apresentado antes das próximas reuniões do Copom, marcada para os dias 21 e 22 de março.