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    Resgates de fundos de “super ricos” chegam a quase R$ 27 bilhões em menos de 4 meses

    Movimento se intensificou a partir de abril, após anúncio da intenção do governo em mudar a tributação

    Hoje os fundos de um único cotista são tributados apenas no resgate
    Hoje os fundos de um único cotista são tributados apenas no resgate Getty Images

    Elaine Bastda CNN

    Os chamados fundos de “super ricos” ou fundos exclusivos, de um cotista só, registraram resgates de R$ 27 bilhões no patrimônio entre os dias 1º de abril e 18 de julho deste ano, segundo levantamento feito pela plataforma Trademap para a CNN.

    “Em 2022, tivemos captação desses fundos. Já em 2023, regastes concentrados principalmente em abril”, diz Einar Rivero, da Trademap.

    Em abril, a plataforma computou o registro de 2.685 fundos. Agora em julho, 2.568, ou seja, 117 fundos de “super ricos” a menos. Com a redução do número de fundos, o patrimônio total registrado também caiu: de R$ 939 bilhões para R$ 756,76 bilhões, queda de R$ 183 bilhões.

    A intensificação dos resgates aconteceu logo após o governo anunciar que estudava a mudança na tributação. Desde março, os fundos de “super ricos” entraram na mira do Ministério da Fazenda.

    Até o fim de agosto deve ser encaminhado um projeto de lei para mudar a tributação destes fundos. Hoje, os fundos de um único cotista são tributados apenas no resgate. A ideia do governo é cobrar Imposto de Renda a cada seis meses, como é feito na indústria de fundos em geral, sistema apelidado de “come cotas”.

    O objetivo é reforçar a arrecadação para cumprir a meta de zerar o déficit fiscal já no ano que vem. Para isso, o governo precisa de uma arrecadação extra de R$ 150 bilhões. Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, este valor é necessário para sustentar o projeto do novo marco fiscal.

    A tributação semestral dos fundos exclusivos já havia sido tentada no governo do ex-presidente Michel Temer que, em 2017, encaminhou uma medida provisória para mudar a cobrança de imposto. Porém, houve resistência do Congresso. A medida não foi votada e perdeu a validade. Nessa época, a expectativa era arrecadar R$ 10 bilhões.

    Segundo Einar Rivero, hoje o patrimônio dos fundos de um único cotista representa 12,3% do total de fundos do mercado. Metade deles está aplicada em renda fixa: 50,4%.

    “Embora a quantidade de fundos de renda fixa seja menor em relação às outras categorias eles concentram uma parcela significativamente maior de recursos. Os fundos multimercados concentram 44% do patrimônio enquanto os fundos exclusivos de ações representam apenas 4,9% do total”